Por Davi Garcia
Uma espécie de The Sopranos dos anos 20. É essa a definição mais comum que se dá para Boardwalk Empire desde sua bem sucedida estreia em 2010. E quer saber? Não há mesmo nenhum exagero quando se compara as duas séries, porque ambas produções são realmente bem parecidas quando colocam crime organizado, família, moral etc. na mesma mistura. O que muda mesmo, além do aspecto político que inexistia em The Sopranos, é o glamour que se confere à história, já que, ocorrendo no início do século passado, Boardwalk Empire se vale de uma caracterização mais apurada não só no figurino (uma demanda óbvia, claro), mas também nos cenários usados (o maior deles, no tal calçadão do título, é magnífico). Seus personagens no entanto, liderados pela curiosa figura de Nucky Thompson (Steve Buscemi, ótimo), são quase tão complexos e carismáticos quanto os de The Sopranos, como vamos descobrindo a cada novo episódio com a revelação das nuances de cada um deles.

Dessa forma, do tesoureito de Atlantic City (personagem de Buscemi), passando pela viúva (feita com sutileza por Kelly Macdonald) que desperta o interesse do homem mais poderoso da cidade ao agente federal (feito por Michael Shannon) obcecado pelo desejo de impor a lei a todo custo, o drama que surge mostra figuras absolutamente distintas e tomadas por contradições bem particulares. E se no fim, a série produzida por Terence Winter (que foi produtor de The Sopranos, diga-se) e Martin Scorsese (sim, ele mesmo), pode até ser vista essencialmente como a produção que desnuda as engrenagens que permitiram o surgimento do crime organizado na América, mais justo a se dizer, é que, mais do que isso, ela é uma belíssima história sobre homens e mulheres em conflito tentando encontrar seu espaço e, sobretudo, identidade. Quem é mocinho e quem é vilão? Todos e ninguém. E é aí que reside a beleza de Boardwalk Empire.

Em “21”, bom episódio que abre o novo ano da série, o panorama da temporada é exposto de forma clara: dessa vez, são todos contra Nucky Thompson. Na esfera política, o vemos tendo sua influência desafiada por um promotor. Na pessoal, ainda que de forma não explícita, suas atitutes e comportamento começam a ser questionados pela já não tão mais ingênua Margareth. Na ‘profissional’, Nucky tem que lidar com a atitude arredia do antigo pupilo (Jimmy) que coloca as asinhas de fora na tentativa de sair de sua sombra e ganhar espaço a partir da orientação dada pelo outrora mentor de seu chefe, o astuto Comodoro. E como desgraça pouca é bobabem, Nucky ainda terá que absorver o impacto do possível rompimento de acordos estabelecidos no lucrativo negócio do contrabando de bebidas. Em suma, perspectivas tão diversas quanto interessantes e que amparadas pelo universo de bons personagens da série (o agente Van Alden, por exemplo, é ótimo), tem tudo para render uma sólida nova temporada para quem gosta de tramas ambientadas em um contexto histórico.
A 2ª temporada de Boardwalk Empire retornou lá fora no dia 25/9 e estreia no Brasil, pela HBO, no dia 9/10 às 21h.





