Séries:

Fringe: Neither Here Nor There

Parte I, por Davi Garcia

Em alguns aspectos, “Neither Here Nor There“, bom episódio que abre o esperado 4º ano de Fringe, funciona como um reboot da série. Não apenas pela evidente ausência de Peter, que provoca mudanças comportamentais importantes nos personagens centrais (Olivia mais fria e Walter mais isolado), mas também pela re-introdução de Lincoln Lee, personagem que já tinha certo destaque do lado de lá e que agora deve aparecer com mais proeminência no “nosso” lado. Nesse contexto, a dupla de roteiristas e também produtores da série, J.H. Wyner e Jeff Pinkner, aborda a ideia da perda que é sentida, mas não compreendida. Assim, explorando pelo viés sci-fi o conceito do impacto que a conexão que cada personagem exerce um no outro, essa premiere alimenta, no discurso e na ação, a certeza de que respostas sempre levam a novas perguntas.

Personagens com novos conflitos, uma versão diferente de shapeshifters, uma possível conspiração orquestrada por Walternativo, uma curiosa ponte que liga os dois universos e um observador incerto da necessidade de apagar os traços da existência de Peter. São muitos os cenários e as (boas) possibilidades a serem exploradas nesse arco inicial, mas não restam dúvidas de que o ponto mais importante e fundamental para a sequência da narrativa passa pela justificativa que será dada para o sumiço de Peter e principalmente para seu retorno. Há uma boa resposta à frente que amarre tudo e elimine o paradoxo (se Peter nunca existiu, o que teria feito as Olivias cruzarem a fronteira dos dois universos?) criado com o fim da temporada passada? Tomara, porque se já é difícil imaginar a série sem um de seus personagens principais, imagine ter que assumir uma eventual invalidade de boa parte dos acontecimentos que vimos até aqui? Wyner e Pinkner, Fringe continua no meu top 3, mas por favor, não nos decepcionem!

Parte II, por Bruno Carvalho

É possível apagar completamente uma existência? Peter Bishop cumpriu seu objetivo e a linha do tempo que Walter – com a ajuda do Observador September – quebrou para salvar o garoto precisou ser corrigida. Desta forma, nesta nova realidade, representada inclusive por uma nova cor nos créditos iniciais, cada Peter Bishop nunca cresceu para ser o homem que foi, vivendo apenas na lembrança de seus pais. Só que ele não sumiu. Ele não está nem lá, nem cá, mas definitivamente está. Aliás, este reset da série foi uma jogada sábia e estratégica dos roteiristas, que criaram uma forma espetacular de revisitar a mitologia da série sob um novo enfoque. Por isso, Neither Here Nor There funciona como um belo exercício de uma versão alternativa da própria série; como se fosse Fringe exibida em um universo paralelo. Isso, em termos narrativos, é simplesmente brilhante.

O episódio, então, apresentou a nova temporada com propriedade, sem preocupar ser bombástico como o finale do 3º ano (o que pode ter frustrado as expectativas de alguns) e sem deixar de ser coerente com a storyline até agora. Não diria que foi o capítulo perfeito, contudo, já que os diálogos expositivos, em especial aqueles que recontavam parte da série ou estabeleciam que Olivia está sentindo um vazio, soaram excessivos. Fringe já soube ser mais sutil, mas em grande parte isso é uma necessidade do formato serializado para TV. Contudo, o drama foi extremamente eficaz na reintrodução do personagem Lee à série, que funciona como uma extensão do espectador, ou seja, uma ferramenta que nos auxiliará a desvendar o grande mistério da temporada: Onde está Peter Bishop?

A 4ª temporada de Fringe indicou nesta premiére que focará ainda mais no poder das escolhas, suas consequências e possibilidades extraordinárias. No momento em que o Observador, utilizando um livre arbítrio que não lhe foi conferido pelos demais, desiste de utilizar o dispositivo, ele mudará mais uma vez a história, inevitavelmente permitindo que os fragmentos de Peter, que insistem em incomodar como um fantasma que não caminhou em direção à luz, eventualmente retornem. E se depender de Walter e Olivia, sua ausência continuará a ser sentida, embora ainda não compreendida. Fringe fez um belo retorno em nossos lares, resistindo bem como um dos melhores dramas no ar.

Davi Garcia
é administrador, cinéfilo, viciado em séries desde a estreia de The X Files, colecionador entusiasta do formato Blu-ray. Fundador dos lendários blogs Dude, We Are Lost! e DudeNews.
http://twitter.com/dav1garcia

Categorias: Fringe

Postado em: 26/09/2011 | 0:27

  • Excelente texto, excelente episódio, excelente série. Com relação ao cor, como eu disse no twitter, creio que seja uma mistura entre as duas cores, representando a junção das duas dimensões.
    E acredito que este ano o John Noble mereça finalmente levar um Emy, porque, PQP, que interpretação, que mudança de perfil.

  • Janaína

    Uma coisa que foi comentada no pst e que eu realmente espero que seja explicada é o paradoxo. Afinal, se Peter nunca existiu, o que fez o Walter atravessar os universos e causar tudo isso?

  • Joelmir Albuquerque

    Gostei do review, foi bem o que eu achei. Tenho essa como minha melhor série e já estava sentindo falta. Vamos torcer para que o decorrer não decepcione.

  • Também vi o episódio como um reboot da série, talvez pela semelhança entre os casos iniciais de Olivia e Lee. Fiquei um pouco decepcionado, apesar de ter achado um bom 4.01.
    Ver um Observador mais humano neste episódio, menos discreto, assim como a entrada de Lee (que, parece não ter sido reconhecido nem pela Bolivia) me fez ter novamente o medo de que a série pode se perder na própria característica que a torna fantástica; a ideia das realidades paralelas. Se essa for a última temporada, espero que terminem com chave de ouro, e não com muitos buracos significativos.

    PS: Eu não sei; as imagens que aparecem durante um episódio têm um significado? No post voce as ligou com a palavra “appear”

  • Vinicius Augusto

    Puta sério mesmo que vocês tão copiando o serie maniacos com o esquema do gliffy code??? que merda em, sejam autenticos, ainda mais num texto a 4 mãos… pelo amor viu, palhaçada…

  • Bruno Carvalho

    Prezado, não copiamos do Série Maníacos. Os glyph codes de Fringe são disponibilizados no site da Fringepedia, com a mesma arte. Nós retiramos de lá.

    http://www.fringepedia.net/wiki/Glyphs_code

    O Série Maníacos é um site parceiro, de colegas nossos. Não temos o menor problema em citá-los sempre que alguma informação que postamos aqui e no Twitter é retirada de lá.

  • Zé das Couves

    Eu achei o episódio bom pra cacete!!!

    Essa é uma “terceira” realidade, gerada pelo “evento” do fim de Peter. Quem sabe a “outra” realidade (do Walternativo e Bolivia) também não tenha sido gerada por um “evento” semelhante?

    Fringe é A SÉRIE sci-fi do momento. Não tem nada nem perto (se é que há outra, de qualquer forma… acho que todas foram canceladas!).

    Aliás, meu único receio sobre Fringe é que seja cancelada. Tomara que não! Se isso acontecer, nunca mais assisto a uma série com história continuada!!!

    Davi, os seus comments serão só aqui? Ou vai continuar mandando em http://dudenews.blogspot.com/search/label/Fringe também?

  • Bem comentado pelo claudson, a bolivia não reconheceu o Lee over here, o que pode significar que o lee over there não trabalha na fringe division. excelente episódio que pede ser notado nos detalhes de interpretação de Walter, Astrid, olívia dentre outros. Uma dúvida: Será que Willian Bell vive?

  • Concordo em tudo com o texto do Bruno.
    Não é que o Peter não tenha existido. Ele existiu, mas morreu aos 8 anos (provavelmente pq o September não o salvou quando ele caiu no lago congelado). Tanto que o Walter disse pro Lee: “Todas as pessoas morrem. E algumas até morrem 2 vezes.” Se ele foi pro lado de lá buscar o outro Peter, o buraco foi aberto. Fim do paradoxo.
    E, sinceramente, acho que a Bolivia reconheceu o Lee de cá. Ela deu uma levantadinha de sobrancelha e uma risadinha, mas não falou nada. Deve ter se espantado com o fato do ‘nosso’ Lee ser todo certinho…

  • Mirelle

    Gostei bastante do episódio. Gostei das referências sutis da ausência do Peter, como Walter dizendo sobre a mulher morta que usava uma aliança de noivado, que é muito triste quando duas pessoas eram pra estar juntas, mas algo as separa. Teve outras assim também, não tão óbvias quanto o vazio de Olivia.

  • Carol Graziano

    Compartilho os receios de vocês, principalmente no que diz respeito a explicar por que as duas Olivias se conhecem e tem essa rivalidade, se não é por causa do Peter. Vimos que a Bolívia realmente assumiu a identidade da Olívia, como a conversa delas no início denuncia, mas por quê? Fiquei super tensa assistindo, torcendo para que eles não dessem nenhum fora que estragasse a lógica disso! Mas, por enquanto, estamos tranquilos, pois as coisas estão no plano do mistério.

    Achei algumas novidades muito boas, a começar pelo novo Lee. Simpatizo muito com a personagem, acho que foi das melhores adições que o elenco da série teve. E o Walter… ele é demais em qualquer dimensão. Emmy pro Noble já!

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  • Rafael

    Bah, tomou “nos dedo” !!! hahahahah

  • Juan Domingues

    Gostaria de saber como vão explicar o filho do Peter com a Bolivia… pq as duas ainda são rivais, isso ficou claro, mas pq?? e o ag. lee do outro lado?? quantas perguntas…só espero que eles não estraguem a série acabando do nada, igual a 4400…