O Fail Season dos Novos Dramas

Quantidade demais para qualidade de menos. Tá feia a coisa nesse início de Fall Season quando o assunto se resume às séries novas. Medíocre nas comédias e igualmente nos dramas (pelo menos até aqui, é bom frisar), a decepção só não é geral para mim por causa de Person of Interest que, se não teve um episódio Piloto fantástico, pelo menos mostrou ter bons personagens, argumento interessante e um texto eficiente, que é justamente a tríade que passou longe de Ringer, The Playboy Club, Unforgettable, Revenge e Charlie’s Angels, alguns dos novos dramas que já conferi e que, a exemplo do Bruno, também já cancelei da minha programação particular.

Com uma premissa sobre roubo de identidade que, pela execução, beira um insulto à inteligência do espectador, Ringer, nova da Sarah Michelle Gellar (Buffy), é tão ruim, mas tão ruim que até mesmo a CW deveria se envergonhar de tê-la colocado no ar. Em resumo, a história gira em torno de Bridget, jovem que, encrecada com a lei, resolve assumir a identidade de sua irmã gêmea rica, Siobhan (sério, que porcaria de nome é esse?), depois que esta supostamente se suicida. O problema é que mesmo sem se verem há anos, terem características diferentes e estilos de vida absolutamente distintos (Bridget é uma ex-garota de programa com histórico de vícios e Siobhan uma socialite), ninguém nota a diferença quando a troca ocorre. Preciso dizer mais?

Por falar em bagunça, a semana também trouxe The Playboy Club, a tentativa desesperada da NBC de ter sua própria Mad Men. Supostamente, a série que se passa nos anos 60 usaria os bastidores de uma boate de Chicago inspirada na famosa marca criada por Hugh Hefner como pano de fundo para discussões sobre a independência da mulher e etc. Uma boa ideia à princípio, é verdade, mas que logo se revela vazia com personagens femininas tão belas quanto desinteressantes numa trama carregada por traços misóginos envolvendo uma coelhinha que, após matar um chefe da máfia acidentalmente, recebe a ajuda de um promotor com pinta de Don Draper wannabe para ocultar o crime. Ou seja, zzzzzzz…

Se como procedural, Unforgettable é, com o perdão do trocadilho óbvio, esquecível (há trocentas séries parecidas com essa por aí), como drama propriamente dito tampouco traz atrativos que me façam querer acompanhá-la. Sim, a protagonista feita por Poppy Montgomery (Without a Trace) tem lá um certo charme em função de sua curiosa característica (uma absurda memória fotográfica), mas nem isso nem seu trauma pessoal  (perdeu a irmã assassinada quando era garota) ou o velado climinha de romance mal resolvido com o colega feito por Dylan Walsh (repetindo os maneirismos de seu personagem em Nip Tuck) parecem suficientes para conferir peso à série que tenta fugir do lugar comum, mas que no fim é só mais um prato requentado.

Mistério, intriga, segredos e, como já indica o título, vingança. Assim é Revenge, nova série da ABC sobre uma garota que, após sair da prisão e descobrir-se milionária, elabora um plano (cheio de buracos, é bom citar) para destruir uma poderosa família do Hamptons responsável pela ruína de seu falecido pai. A sinopse deu sono? Pois então imagine aguentar os intermináveis 40 e poucos minutos do episódio Piloto arrastado e com uma trama que só não é mais chata que os personagens rasos e extremamente caricatos que a movem sem qualquer carisma. Não sei o que fiz para merecer isso, mas não tenho dúvida que alguém se vingou de mim quando produziu essa bomba que me fez perder preciosos minutos da semana.

O remake picareta de Charlie’s Angels (As Panteras) é tão fraco, mas tão fraco que com 5 minutos eu já queria parar de ver. Tudo é muito ruim nessa releitura que acredita ser capaz de esconder, na ação descerebrada cheia de cortes secos, um texto horrível e atuações canastronas que fazem David Caruso (CSI:Miami) parecer um Marlon Brando. Chata, preguiçosa e genérica, Charlie’s Angels erra no tom (faz rir quando tenta ser séria e não diverte quando deveria) e consegue até mesmo a proeza de fazer Minka Kelly (musa de Friday Night Lights) perder o encanto com uma personagem boba e sem qualquer personalidade. E o que dizer do satélite ultra moderno empregado pelos editores, que é capaz de filmar um quarto de hotel de dentro pra fora?

É verdade que ainda não vi todas as novatas que já estrearam (falta The Secret Circle, Prime Suspect e A Gifted Man, por exemplo), mas considerando o panorama até aqui, essa temporada tem tudo para confirmar o refrão daquela música velha e famosa: panela velha é que faz comida boa. Será?

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