Por Davi Garcia
Comparado à estréia, “Home Invasion”, o 2º episódio de American Horror Story, tem lá alguns (poucos) méritos, já que, investindo num tom menos absurdamente fantástico (deram folga pro fantasma ninfomaníaco) e mais centrado no psicológico de seus protagonistas, conseguiu diminuir meu desejo de abandonar logo a série (pelo menos por enquanto) ao passo em que me deixou curioso em relação aos mistérios levantados pela estranha história apresentada até aqui. E a justificativa disso passa pelo personagem central da série: a casa. Sim, porque é ela que cataliza o esboço da trama que apresenta situações de natureza violenta e grotesca que acabam encontrando reflexo no comportamento projetado pelos personagens que interagem/atormentam a família Harmon sabe-se lá porquê.

Contudo, o grande problema da produção continua sendo sua falta de identidade (afinal, ela é uma série de horror ou apenas um suspense com toques sobrenaturais?) e a precariedade com que desenvolve os conflitos dos personagens de Dylan McDermott (um terapeuta que não consegue identificar a origem de seu próprio comportamento errático?) e Connie Britton (que faz o que pode para conferir profundidade a uma personagem que parece se dividir entre a figura de esposa traumatizada e a de mulher reativa). Aliado a isso, ainda que a razão da tortura perpetrada pelos singulares personagens coadjuvantes liderados por Constance (Jessica Lange) siga intrigante, American Horror History tem falhado na tentativa de conferir importância às ações destes ao insistir em criar cenários que até chocam (Tate dando machadas numa das invasoras da casa, por exemplo), mas que no fim não ajudam a contextualizar suas motivações. Em resumo, por motivos óbvios ainda estou longe de dizer que virei fã da série, mas admito que ela tem prendido minha atenção porque, ainda que seja problemática, ela pelo menos não é chata. O que não deixa de ser um elogio quando consideramos 90% desse Fall Season, não é mesmo?




