Por Davi Garcia
[Com spoilers relativos à ‘grande’ reviravolta da sexta temporada. Se ainda não começou a assistí-la ou está com os episódios atrasados, continue a leitura por sua conta e risco!] Acabou o grande mistério dessa 6ª temporada de Dexter. Não foram poucas as tentativas feitas pelos roteiristas para nos despistar sobre a verdadeira natureza da relação dos assasssinos do Apocalipse, mas “Get Gellar”, nono episódio deste bom 6º ano da série, deu fim às especulações que fomentavam a teoria popularmente referenciada a Tyler Durden (de Clube da Luta) confirmando-a de vez e colocando Travis como o único e real antagonista do analista de sangue da Miami Metro Police. E se faltou surpresa genuína do lado de cá da tela no que tange ao momento em que Dexter abre o freezer no subsolo da igreja descobrindo o corpo de Gellar (afinal, a essa altura da temporada todo mundo já tinha pelo menos ouvido falar da tal teoria), sobrou a certeza de que, tal qual ocorrera na reta final do 4º ano da série (o do Trinity), veremos um curioso e, espero eu, empolgante jogo de gato e rato envolvendo os personagens de Michael C. Hall e Colin Hanks nos 3 episódios que restam.

Considerando o panorarama promissor, é justo, contudo, destacar que embora louvável, a iniciativa dos responsáveis pela série em criar um cenário cuja reviravolta pudesse render um choque ao ser revelada, falhou ao investir tempo demais na preparação de uma festa surpresa da qual o aniversariante (o telespectador, no caso) já suspeitava fortemente que ocorreria. Assim, ao passo em que o desenvolvimento da trama coloca Dexter, pela primeira vez na história da série, acredito, sob o prisma de alguém que se descobre extremamente manipulado por um algoz que ele poupara por julgar ser ‘só’ outra vítima, ele também nos apresenta um antagonista cujo dark passenger, bipolar eu diria, mostra-o tão fragilizado quanto perigoso no comportamento e principalmente nas ações.

Segredo exposto à parte – e aqui não me estenderei em comentar sobre os furos que possamos encontrar na trama (pense, por exemplo, na logística envolvida entre o tempo que se passou da chegada de Travis e Dexter ao campus, do tempo que este último ficou preso no elevador e do que Travis levou para fazer todo ‘serviço’ no professor ateu), estou curioso para ver como será trabalhada a questão da personalidade que Travis abraçará (se é que ele o fará) agora que Dexter descobriu quase tudo que envolve a mecânica de seu modus operandi. Além disso, agora que a presença de Gellar na trama da temporada provou ser fruto apenas da cabeça doente de Travis, seria salutar que ela deixasse claro se o jovem agia conscientemente desde o início ou se experimentava uma espécie de pesadelo do qual só agora despertou para abraçar na plenitude.

Mais focada, agora que não precisará plantar pistas falsas para desviar nossa atenção do que realmente importa, a temporada tende a afunilar suas subtramas amarrando as que parecem mais interessantes (vide a de Debra se impondo mais, por conta da terapia, ao passo em que tenta se aproxima do irmão; ou mesmo a que envolve o segredo do estagiário Louie) e descartando as mais supérfluas como a que coloca Batista e, principalmente, Quinn como alívio cômico da história e a de LaGuerta tentando varrer para debaixo do tapete a lambança cometida pelo chefe da polícia. Nesse contexto, faltando apenas 3 episódios para encerrar seu 6º ano, Dexter tem a chance de corroborar a ideia de que se não apresentou uma temporada excepcional e à prova de críticas, pelo menos foi extremamente regular, até aqui, na iniciativa de trazer desenvolvimentos e questionamentos novos para seu protagonista que continua tão carismático quanto complexo.
Categoria: Dexter
Postado 29/11/2011 00:11:30







