Hell on Wheels: O Velho Oeste Infernal

Por Davi Garcia

É inevitável comparar Hell on Wheels, nova série épica do AMC (o mesmo de Breaking Bad, Mad Men e The Walking Dead) que estreou nos EUA no dia 6/11, com a aclamada Deadwood da HBO, afinal, ambas exploram praticamente o mesmo período histórico, além, é claro, de serem ambientadas num cenário bastante parecido. A comparação no entanto, julgando pelo Piloto da série, acaba aí, uma vez que a abrangência temática de Deadwood ainda encontra-se em outro patamar de qualidade e, sobretudo, de execução. Ressalva à parte, não é exagero elogiar o esforço que Hell on Wheels faz para introduzir seus temas ao mesmo tempo em que parece querer dizer que ela lembra Deadwood, mas tem (ou terá) identidade própria.

Contando com uma abertura impactante que mostra o personagem principal (Culen Bohannan) matando um homem dentro de uma igreja durante uma confissão, o Piloto de Hell on Wheels introduz a história de um ex-combatente confederado que, seguindo a trilha de soldados da União no pós guerra civil dos EUA, busca vingança contra os responsáveis pelo assassinato de sua esposa. No processo, Bohannan (que pelo visual parece uma mistura de John Marston do game Red Dead Redemption com o Sawyer de LOST) acaba indo parar em Hell on Wheels, o canteiro de obras da primeira ferrovia transcontinental daquele país onde conflitos políticos (e a corrupção que vem com eles), religiosos e sociais (através do retrato da exploração feita com negros e imigrantes) eclodem de forma avassaladora.

Bem produzida e tecnicamente esmerada (destaque para a fotografia em tom sépia que ajuda a capturar nossa atenção para o aspecto épico da história), Hell on Wheels, contudo, derrapa no Piloto ao não abrir mão de esteriótipos (como o do indígena tratado como vilão, por exemplo) e ao apresentar tramas ainda desconexas de forma apressada. Apesar disso, a série compensa a escorregada com personagens suficientemente intrigantes e imorais (em maior ou menor escala) o bastante – como o empresário picareta feito por Colm Meaney -, para nos deixar curiosos. Além disso, ao investir em diálogos cools como aquele em que Bohannan diz que o único poder superior que acredita é o da arma que carrega na cintura e numa narração em off bem-vinda ao final do episódio falando da brutalidade do negócio da construção de ferrovias, a série conseguiu, em seu Piloto, criar uma contextualização interessante o bastante para despertar em mim o desejo de conferir o que virá pela frente.

Mas, e você? Já conferiu o Piloto de Hell on Wheels, pretende fazê-lo em breve ou passa longe de produções épicas como essa?

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