As 10 Melhores Séries de 2011!

Por Bruno Carvalho e Davi Garcia

O ano de 2011 passou e tivemos um fraquíssimo Fall Season, em que pouca coisa nova pôde ser reaproveitada para 2012. Contudo, o ano foi marcado pela consagração de séries veteranas, que em sua maioria apresentaram suas melhores temporadas. Abaixo, Bruno Carvalho e Davi Garcia, editores do blog, compilaram uma lista das 10 melhores produções de 2011, o ano que também foi marcado pela invasão indiscriminada de conteúdo dublado na TV paga brasileira e sem a opção de áudio original e legendas na maioria dos canais. Como toda lista, é óbvio que faltaram diversas produções (algumas lembradas nas menções honrosas abaixo), mas de qualquer forma, estas foram as 10 que mereceram maior destaque conforme esta publicação.

Ah, este é um blog de opiniões pessoais sobre séries (para os novatos). E, sim, esta lista reflete opiniões pessoais! Acreditem, existe público alvo para este disclaimer.

Considerando o escopo técnico e o visual espetacular de Game of Thrones, é como se assistíssemos um pequeno filme épico a cada episódio. Foi essa a sensação que a série deixou em sua boa temporada de estreia que correspondeu à expectativa da ambiciosa proposta de trazer para a TV, os elementos mais marcantes da obra literária que a inspirou. Assim, apoiada na tríade do elenco correto aliado a roteiro e direção eficientes, a produção cumpriu bem a missão de emular o mundo fantástico criado por George R.R. Martin e de tornar críveis o suspense e as ações de seus fascinantes personagens num cenário violento e cercado por disputas de poder. (D.G.)

Irreverente e nonsense na medida certa, Parks and Recreation superou The Office e Modern Family e é hoje a melhor comédia em estilo mockumentary da TV. Com um elenco invejável liderado por Amy Poehler, veterana do Saturday Night Live, a série percorreu 2011 demonstrando ter um texto ágil, atual, com personagens heterogêneos, peculiares e hilários como Ron Swanson (Nick Oferman), Tom Haveford (Aziz Ansari) e as ótimas adições Rob Lowe (Chris Traeger) e Ben Wyatt (Adam Scott). A storyline da eleição de Leslie revelou que a 4a temporada ainda tem bastante potencial para desenvolver em 2012. Parks é deliciosamente hilária e imperdível! (B.C.)

Duas verdades fundamentais resumem Fringe e explicam sua presença nessa lista: (1) o drama sci fi, exibido em ambiente mainstream geralmente avesso ao tema, jamais abre mão de se reinventar mesmo quando a zona de conforto da repetição surge como um caminho mais seguro e (2) mesmo contando com efeitos acima da média, o que sustenta e desenvolve sua narrativa intrigante é a perspectiva pessoal e sobretudo emocional que seu ótimo trio de personagens liderado pelo excelente Walter Bishop (John Noble) imprime em cada uma daquelas deliciosas histórias. (D.G.)

Intrigas, jogos de poder e uma bela combinação de drama e ação no meio de histórias pessoais e políticas num período histórico que marcou a ascensão do crime organizado em várias frentes de influência e atuação. Essencialmente, Boardwalk Empire é isso: uma série que constrói um panorama envolvente e tecnicamente impecável da atmosfera que revela nascimento do conceito de máfia na década de 20 e que captura nossa atenção, de forma crua, através dos dramas particulares de seus bons personagens capitaneados pela figura controversa de Enoch Thompson (Steve Buscemi). (D.G.)

É praticamente indiscutível que Homeland foi a melhor estreia do Fall Season 2011. De um lado temos Carrie (Clarie Danes, na melhor atuação de sua carreira) uma determinada e competente agente da CIA acomedida por um grave distúrbio psicológico e, de outro, Brody (Damian Lewis, de Life) um herói de guerra resgatado da Al Qaeda que parece ter uma agenda secreta e obscura contra o próprio país. Competente ao lidar com a paranoia do americano no mundo pós 11/09, Homeland é uma produço corajosa, que pela primeira vez discute de forma tão aberta numa série de TV o “terrorismo legitimado” promovido pelos EUA, enquanto humaniza os costumeiros “vilões” do mundo pós-moderno. Sua principal característica, que inclusive a distingue de produções do gênero, é a verossimilhança com que trata as situações, sem jamais render-se ao patriotismo barato e incondicional. (B.C.)

É possível afirmar que na TV aberta americana em 2011 não existe nenhuma série mais ousada que The Good Wife. Capaz de desenvolver diversas tramas em cada episódio de forma magnífica e coesa, o drama encontra-se em seu melhor momento desde a estreia, abordando temas sensíveis e polêmicos. O nome “A Boa Esposa”  é o calcanhar de Aquiles da produção, já que dificilmente espera-se que esta seria uma das melhores séries jurídicas da TV. Fiel ao seu propósito de narrar o drama pessoal da advogada Alicia Florrick ao mesmo tempo em que discute guerra, religião, corrupção, lobby de empresas e bastidores da política, The Good Wife ainda traz os melhores e mais surpreendentes casos de tribunais desde o fim de Boston Legal. Relevante, atual e eletrizante, este certamente é um dos melhores dramas desta e das últimas temporadas. (B.C.)

Louie é uma comédia criada, produzida, roteirizada, dirigida e editada pelo comediante americano Louis C.K., um sujeito que sabe fazer piada com a situação mais desagradável e inapropriada possível, sem nunca soar ofensivo ou ultrapassar o limite do mau gosto. E é com essa “habilidade” que ele comanda Louie, uma comédia distinta da TV paga americana, onde ele faz graça com a própria vida – comediante divorciado com 2 filhas pequenas – e com as convenções sociais, numa crítica ácida ao politicamente correto. Os episódios de Louie são como crônicas divertidíssimas, tendo como ápice o capítulo da 2a temporada em que um pato de estimação evita um conflito internacional em pleno Afeganistão, onde ele realizava uma turnê de shows para as tropas. (B.C.)

Investindo com eficiência quase irretocável na narrativa que casa personagens complexos e cercados por dilemas particulares com uma história que vai muito além do retrato de um clube de motociclistas envolvido em atividades criminosas, Sons of Anarchy teve, no 4º ano, uma temporada absolutamente madura e equilibrada. Diluindo tensão, suspense e ação numa trama que desenvolveu ainda mais alguns de seus personagens centrais (com destaques óbvios para Jax e Clay), a série abraçou de vez sua inspiração ‘Hamletiana’ ao reforçar e expandir a principal base de conflito – a disputa que se estabelece entre ‘pai’ e filho – que faz a série merecer esta posição. (D.G.)

Não há outro adjetivo para melhor descrever Community a não ser “genial”. Resgato aqui meus comentários sobre a campnha para salvar a série: Semana após semana, o criador Dan Harmon entrega episódios que são verdadeiras obras primas: do Natal incontrolável de Abed até as batalhas de paintball; os clássicos revivals do cinema; as homenagens ao spaghetti western, aos filmes de máfia, dramas noir e por aí vai. Em que outra série de comédia hoje veríamos um texto tão afiado e corajoso, que num momento discute múltiplas linhas do tempo e em outro recria um cenário apocalíptico dominado por zumbis – tudo no pano de fundo de uma faculdade comunitária? Community representa o triunfo da linguagem, da metalinguagem e das ótimas referências que valorizam e homenageiam a cultura pop numa narrativa brilhantemente construída. É a melhor comédia da TV e o paradigma que dificilmente será superado tão cedo. (B.C.)

O casamento perfeito entre roteiro inspirado, direção imponente e interpretações avassaladoras. Assim é Breaking Bad que, em sua 4ª temporada, investiu de forma ainda mais provocadora e corajosa na expansão da jornada de redenção e sobretudo tragédia de Walter White (o ótimo Bryan Cranston), um homem que, ao abandonar uma rotina pacata e sem perspectivas frente uma ameaça iminente, mergulha, ao lado do parceiro de ‘negócios’, Jesse (o também excelente Aaron Paul), numa vida de caos e incertezas que o faz não só se transformar no maior anti-herói da atualidade na TV, mas também no protagonista da melhor série de 2011. (D.G.)

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Menções Honrosas:

Friday Night Lights (a melhor e mais séria produção teen que a TV americana já viu e que se despediu em grande estilo), Modern Family (por ter recuperado o gás de seu ano de estreia), The Killing (pela execução de um drama que foge do lugar comum), The Office (por ter conseguido provar que há vida – e graça! – na série sem Michael Scott) e The Walking Dead (por amplificar, com mais equilíbrio, o conflito temático de um mundo devastado).

Menções Desonrosas:

Dexter (outrora excelente drama que se auto flagelou em 2011), Ryan Murphy (por cometer a 3a temporada Glee – abandonada até por fãs xiitas – e American Horror Story, um exemplo negativo de desenvolvimento de personagens e condução de uma história), Steven Spielberg (por deixar seu nome ser associado a coisas como Falling Skies e Terra Nova), Person of Interest (por entregar bem menos do que prometia), Mico dos Canais da TV Por Assinatura (com a imposição de conteúdo dublado sem opção de legendas e até mesmo venda de joias no lugar de séries anunciadas) o caso Charlie Sheen (#winning) e, por fim, as vergonhosas indicações do Golden Globe 2012!

E para vocês: quais foram ams melhores séries de 2011, bem como menções honrosas e desonrosas da telinha?

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