Homeland: Marine One [Season Finale]

Por Davi Garcia

Conspiração, intriga, um ‘vilão’ aparentemente insuspeito dividido por conflitos morais e pessoais e uma heróina movida pela genialidade, mas assombrada pelo desequilíbrio mental e emocional. É essa a imperdível mistura do recém encerrado ano de estreia de Homeland, a melhor série nova da temporada. Ponto.

Apostando na dualidade temática da discussão do terrorismo e em personagens fortes, complexos e absolutamente ambíguos (um elemento que assume papel fundamental dentro da narrativa, diga-se), a série adaptada pela dupla Howard Gordon e Alex Gansa (ex-produtores de The X Files e 24) para a tv americana a partir de uma produção israelense, desenvolveu e explorou, ao longo de 12 ótimos episódios, dois cenários que se chocam de forma avassaladora: a obsessão de uma agente da CIA (Claire Danes em atuação inspiradíssima) afetada pela bipolaridade, mas que se convence de ter descoberto uma grande ameaça ao país; e a dúvida dissimulada de um fuzileiro resgatado após 8 anos em cativeiro (Brody, papel do surpreendente Damian Lewis de Band of Brothers) com quem a agente acaba se envolvendo antes da revelação derradeira de que o cara fora cooptado por um líder da Al Qaeda.

Em alguns aspectos, Homeland pode até ser vista como uma espécie de 24 Horas mais adulta, crua e sem os mesmo exageros da divertida e saudosa série do Jack Bauer. A diferença fundamental aqui, é que a produção, embora não abrace causas ou bandeiras políticas, estabelece, em muitos momentos, um ponto de diálogo interessante que amplia, através do drama daqueles personagens, a ideia de que nem tudo é preto ou branco quando o assunto envolve o terrorismo, já que à medida em que vamos conhecendo a perspectiva que explica a motivação de Brody de se voltar contra seu país, fica evidente o conceito de que a ação do fuzileiro transcende a barreira do ato terrorista que, por sua vez, se amplia a um ato de vingança calculada e de consequências muito mais devastadoras. Uma interpretação que fica clara, inclusive, quando o personagem de Lewis, em dado momento do episódio, ouve a simples, porém significativa pergunta de seu mentor: “Por que matar um homem se você pode matar uma ideia?”

Assim como o penúltimo episódio colocou no limite a complexidade de Carrie de forma impactante (há cenas ali com a personagem de Claire Danes que deveriam constar em qualquer aula de arte cênica!), o season finale traz Brody sobrecarregado pelo peso de finalmente ter que executar seu plano (explodir-se matando o Vice-presidente americano e todo seu staff envolvido numa grande e sangrenta mentira) e pela pressão do conflito interno que a ação representaria como legado massacrante para sua família. Nisso, as cenas envolvendo o personagem no bunker criaram uma atmosfera claustrofóbica de extrema tensão que me fez, enquanto espectador, sentir como se estivesse na pele do personagem e, assim, experimentar suas dúvidas e encarar junto dele todos os dilemas do que seu ato traria.

Corajoso, ousado e provocador, “Marine One” foi um final de temporada excelente e que mesmo deixando de lado ou, no mínimo, postergando certas explicações (qual era a motivação de Walker para trabalhar para Nazir? Quem é o informante dentro do governo?), corroborou as muitas virtudes da narrativa da série e de seus brilhantes protagonistas, deixando a certeza de que a resposta para a pergunta de qual foi a melhor estreia da tv em 2011 só tem uma alternativa: Homeland!

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