The X Factor: O Dia Em Que Simon Cowell Errou

Por Bruno Carvalho

[contém spoilers para quem acompanha pelo Sony] A semana foi trágica em The X Factor. Com o difícil tema “Michael Jackson”, inclusive com a presença da família do astro, os 7 finalistas precisaram se superar, pois sabiam que na noite seguinte 2 seriam eliminados. As apresentações, no geral, ficaram aquém do que poderíamos esperar. Com um imenso catálogo de sucessos, os atos apresentaram músicas menos conhecidas de Michael e apenas 2 finalistas ficaram em destaque: Melanie Amaro e Chris Rene. Mas desta vez focarei os comentários nas eliminações, a mais tensa desta edição até agora. Pois bem, com um formato diferenciado do American Idol e outros realities de competição do gênero, o grande trunfo de The X Factor – pelo menos até agora – era o de não deixar a escolha dos vencedores completamente nas mãos do público. Assim, os jurados teriam maior controle criativo e técnico da atração. Mas eis que o próprio criador do formato se viu traído por sua criação.

Há algumas semanas os jurados, especialmente L.A. Reid, vinham pegando no pé de Simon e Drew para que ela saísse da zona de conforto e cantasse músicas mais agitadas, enquanto o mentor rebatia as críticas com sua arrogância costumeira. E mesmo ciente disso, justo na semana Michael Jackson, Simon colocou Drew para cantar sentada em uma cadeira no escuro, sem nenhuma produção, bailarinos, efeitos, nada, apenas para provar um ponto: “ela não precisa de nada disso para vencer”. Simon errou. E errou feio, custando a permanência de uma das mais promissoras participantes do reality. O inglês chegou a jogar na cara de Paula que todos os atos dela (os grupos) haviam deixado a competição pelo excesso de dança e ainda trocou farpas com Nicole e L.A. pelo mesmo motivo.

Além disso, Simon colocou Drew para cantar uma versão diferente de Billie Jean, mas mentiu dizendo que “depurou a música” pra ela. Todos sabem que a versão é de Chris Cornell, do Audioslave, popularizada pelo vencedor do American Idol 9 David Cook. Nada original, Simon. Os votos chegaram e Drew ficou no Bottom 2 com Marcus Canty (Astro saiu de cara, merecidamente). Canty, aliás, figurou nesta mesma posição pela segunda semana consecutiva. Nesse momento, Simon tuítou que “está amedrontado“. E deveria. Seu senso crítico, sempre aguçado com os outros, havia falhado consigo mesmo. Drew e Marcus cantaram a “Save Me Song”. L.A. votou para Marcus ficar e, Simon, claro, para Marcus sair, não antes de fazer uma mea culpa com Drew e apelar para que as demais escolhessem ela para continuar. E mesmo sabendo que Drew é infinitamente mais talentosa que Canty – o que ficou evidente na “Save Me Song” – Nicole e Paula votaram em Marcus em uma retaliação clara e dirigida à Simon.

E assim, ao tirar do público o controle máximo da atração e colocá-lo em jurados que estão brigando entre si para emplacar seus pupilos, Simon criou um reality cujas decisões podem ser pautadas pela politicagem e, esta semana, L.A. soube ser político. O inglês subiu no palco para acompanhar sua eliminada Drew e não conseguiu esconder que estava totalmente enfurecido. Ele murmurou “inacreditável”, se recusou a falar e fuzilou a banca de jurados com o olhar enquanto a talentosa menina chorava. Até mesmo o apresentador-robô Steve Jones ficou atordoado, pois todo mundo ali sabia que Drew não merecia sair agora. Eu odiei o que Paula e Nicole fizeram, mas não tiro a razão delas. Simon foi estúpido e intransigente quando não poderia se dar ao luxo de ser. Cadê um Silvio Santos pra mudar as regras e trazer a menina de volta? Ou realmente acham que Marcus Canty tem potencial pra ganhar um contrato de US$ 5 milhões? The X Factor não terá a mesma graça sem Drew.

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