A Estreia de Alcatraz

Por Davi Garcia

Mesclando procedural com mistério e conspiração, Alcatraz, a mais nova série com assinatura de J.J. Abrams, não teve uma estreia espetacular, mas cumpriu, com mais acertos do que erros, o que prometia ao introduzir de maneira eficiente uma trama que carrega doses sutis de suspense, muita intriga e personagens que se não surgem de maneira marcante logo de cara, tampouco comprometem a condução da narrativa que, de fato, é bem envolvente.

Sob esse prisma, aliás, dá até para associar o ponta pé inicial de Alcatraz com aquele de Fringe que vimos 4 anos atrás, já que mesmo sem escapar de alguns clichês (cito-os logo abaixo), a primeira impressão deixada pela trama que gira em torno do reaparecimento, nos dias de hoje, de prisioneiros da famosa prisão é absolutamente positiva. E nisso, se o nível de excelência que Fringe alcançou (em termos de desenvolvimento de trama e personagens) servir como parâmetro, podemos dizer que o futuro de Alcatraz deve ser, no mínimo, promissor.

O episódio duplo (“Pilot” e “Ernest Cobb”) que abre a série revela o mistério central de forma objetiva – o ressurgimento no presente, de prisioneiro de Alcatraz que não envelheceram um dia sequer desde 1963 – e nos apresenta a Rebecca Madsen, Diego Soto e Emerson Hauser, o trio de personagens que acaba formando a equipe encarregada de investigar o evento e cujo principal elo de ligação se justifica pela relação direta ou indireta que cada um deles revela (ou descobre) ter com a prisão de Alcatraz.

A detetive Rebecca Madsen (Sarah Jones), por exemplo, foi criada por um ex-guarda do lugar (papel do veterano Robert Foster) e acaba descobrindo, já no fim do 1º episódio, ser neta de um ex-prisioneiro também foragido e que ela chega a perseguir. Diego Soto (Jorge Garcia, o Hurley de LOST), por sua vez, aparece como um autor especialista na história da prisão e de seus ex-habitantes ao passo em que o agente Emerson Hauser (Sam Neill dos filmes Jurassic Park), ele próprio um ex-guarda de Alcatraz, surge como um homem com motivações dúbias e que claramente, pelas ações, sabe muito mais sobre o mistério do que deixa transparecer para Madsen e Soto.

Buscando referência em LOST para construir uma narrativa que consiga fazer uma transição equilibrada entre o passado dos prisioneiros e o presente (concentrado nos esforços do trio citado para capturar os homens que ressurgem nas ruas de São Francisco cometendo assassinatos motivados tanto por razões pessoais quanto de natureza ainda não revelada), Alcatraz faz uma boa ambientação de sua trama, mas não escapa de se escorar em clichês batidos como o de diretores de prisão que não perdem a chance de humilhar e torturar condenados ou de detetives que, de forma milagrosa e quase mediúnica, desvendam as circunstâncias de um determinado crime (vide o que Rebecca faz na sequência do parque do segundo episódio).

Ressalva à parte, ainda que a série não chegue chutando todas as portas, quando o segundo episódio de Alcatraz termina, o sentimento de que não sabemos de nada é premente de uma forma positiva visto que o suspense fica no ar alimentando nossa curiosidade e estabelecendo pontos importantes tais como: (1) o mistério de como e por que aquele grupo de pessoas desapareceu em 63 e reapareceu agora; (2) a dúvida sobre as reais motivações de Emerson Hauser em torno de tudo aquilo (o cara é mocinho ou vilão?) e (3) a certeza de que promete ser bem divertido ver Jorge Garcia atuando não só como um parceiro improvável para Rebecca, mas também como um pontual alívio cômico (como na cena em que ele compara as instalações construídas no subterrâneo da prisão a uma bat caverna).

Ainda é cedo para dizer se Alcatraz será uma das grandes séries novas do ano, mas se a primeira impressão é a que fica, é inegável que as chances são boas. E vocês, o que acharam da estreia da série?

Alcatraz estreou na TV americana no dia 16/01 com audiência média de 9,9 milhões e chega ao Brasil, pelo Warner Channel, em pré-estreia no domingo, 22, às 22h e depois passa a ser exibida nas noites de 2ª feira.

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