Alcatraz: Cal Sweeney

Por Davi Garcia

Eu entendo o esforço da equipe de roteiristas de Alcatraz para tentar equilibrar o arco mitológico maior que tem que sustentar o bom conceito da série com o velho procedural do ‘vilão da semana’ ou algo do tipo, mas para que qualquer história que envolva mistério faça algum sentido e capture nosso interesse de forma contínua, seria essencial que os personagens que fazem a trama andar fossem mais bem desenvolvidos e nos convencessem a ‘comprar’ suas ações, reações e sentimentos em torno daquilo, e nesse contexto, a série tem, até aqui, falhado clamorosamente.

Cal Sweeney”, quarto episódio da temporada, trouxe alguns avanços sim, mas no geral, a exemplo do que ocorrera no anterior, foi outro capítulo decepcionante para um início de série tão alardeada e que deveria ser mais incisiva em sua proposta. É verdade que a tal mitologia de Alcatraz tem um grande mistério interessante (Por que aquelas pessoas sumiram e por que retornaram?), mas é igualmente verdade que, até agora, os ‘casos da semana’ não trouxeram nenhuma indicação de que os perigosos retornados que não envelheceram sintam-se deslocados no tempo, ou mesmo que manifestem qualquer característica que os façam ser realmente especiais como Emerson Hauser afirma.

Aliás, falando de novo em identificação de personagem, como acreditar que Rebecca seja uma oficial treinada e capaz de fazer parte daquela força tarefa, se em nenhum momento deste episódio a vimos questionando os motivos que levavam Cal Sweeney a pegar aquelas caixas especificamente durante os assaltos? Dado o histórico de que o avô dela não só é um dos retornados, como também foi responsável pela morte de seu parceiro, não deveríamos esperar que a personagem se mostrasse mais questionadora em torno de tudo aquilo estabelecendo a voz do público e fazendo as perguntas que nós faríamos?

Quem leu o comentário que fiz a respeito da estreia da série sabe que eu me interessei por sua ideia. Dito isso, ainda darei mais algumas chances para Alcatraz na esperança de que a coisa engrene, mas confesso que tá difícil me importar com personagens tão apáticos (e caricatos como é o caso dos diretores da prisão) e que ainda não disseram a que vieram dentro da história. Nisso, se Soto aparece como a figura mais humana, curiosa e de alívio cômico isolado da série (ainda que essencialmente surja fazendo quase que uma outra versão do Hurley de LOST), Rebecca aparece sempre – não sei se por culpa da atriz ou do roteiro – como uma figura artificial.

O mistério de Alcatraz pode ser bom? Sem dúvida que sim, mas a série precisa urgentemente sair do lugar, dar algumas respostas (ou pelo menos indicações delas, como, por exemplo, uma que aponte se os retornados agem por conta própria ou se deveriam seguir uma agenda específica) e provar que ela merece o apelo popular que tem alcançado neste início de caminhada. E vocês, o que tem achado da série até aqui?

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