Alcatraz: Kit Nelson

Por Bruno Carvalho

Baixada a poeira da agitação da estreia de Alcatraz, foi possível perceber que a série tem muito que melhorar para se tornar relevante e interessante até mesmo a curto prazo. No capítulo desta semana nos EUA, o drama investiu num caso bobo, previsível e que não trouxe nada de novo ao gênero. O “malfeitor” da vez foi Kit Nelson, um “matador de crianças” que, claro, era um dos prisioneiros de Alcatraz que reapareceram no “presente” para, bem, matar mais crianças (oh!). Ainda sem explicar a motivação por trás dos crimes, optando apenas por continuar tratando todos presos como psicopatas, o episódio foi marcado por inconsistências de roteiro, especialmente em coisas simples como o fato dos investigadores Rebecca e Diego  interromperem a caçada ao sequestrador para ter sempre que ir até o QG na ilha (e o principal transporte é balsa, diga-se) ou novamente as coincidências que sempre “entregam” o bandido facilmente, como no caso da torta de cereja. E alguém mais tem a impressão que falta mão-de-obra na Alcatraz-Division?

Não ficou claro também qual é a mecânica de Alcatraz. Os presos vão sendo “soltos” no presente a conta-gotas, um por dia, é isso? Ou todos eles estão soltos, mas coordenam entre si seus crimes para não atribular a rotina dois únicos investigadores (sendo um deles civil) que só reagem em vez de agir em busca de respostas? Ora, em todo o capítulo não tivemos uma só menção relevante à suposta “mitologia” ou ao mistério principal da série, mas tão-somente uma rápida aparição dos presos dos primeiros dois episódios, mantidos em uma estrutura capaz de abrigar todos 302, além do médico não envelhecido ao final (fato que já não é mais novidade). Isso sem contar que a série traz um excesso de letreiros expositivos e transições exageradas. É realmente necessário aquele invasivo efeito de grades e os caracteres “Alcatraz” na tela a cada flashbackou os realizadores não consideram seu público é inteligente o suficiente para fazer a óbvia ligação “homens com macacão de penitenciária -> estão em Alcatraz -> Alcatraz não funciona mais -> é passado?” Sem saber explorar bem a própria premissa, o drama criado por Elizabeth Sarnoff, Steven Lilien, Bryan Wynbrandt desaponta – e muito – neste início de temporada. Temos séries procedimentais aos montes na TV americana e é desnecessário mais uma que não sai do lugar. Tomara que corrijam o rumo de Alcatraz e rápido.

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