Fringe: Forced Perspective

Por Davi Garcia

Nada é irreversível. Você e eu… Nós não precisamos morrer aqui hoje”, diz Olivia em dado momento de “Forced Perspective”, resumindo uma das curiosas questões que essa boa 4ª temporada de Fringe tem fomentado até aqui: o destino é um fato inexorável ou apenas a explicação preguiçosa dos que se deixam levar pelas circunstâncias da vida sem vivê-la efetivamente e não agem para construir um futuro? A resposta para isso eu não tenho, mas considerar esse tipo de discussão a partir de uma série com tématica sci fi é, sem qualquer dúvida, um dos grandes prazeres que Fringe nos proporciona. Concordam?

Flertando de forma elegante com a ideia da série de filmes Premonição (Final Destination, no original), o décimo episódio da temporada nos apresenta a Emily, uma garota que já foi alvo de experimentos da Massive Dynamic de Nina Sharp por conta de sua habilidade em prever terríveis eventos futuros (que tal o desfecho da cena pré-créditos, aliás?), e que vive atormentada pelo dom que ela obviamente encara como uma maldição. O contexto ideal, portanto, para: (1) sustentar um caso da semana interessante, inventivo e, em certo grau, até emocionante dado o tom trágico evidenciado pela jovem e (2) para fazer Olivia confrontar o temor e a dúvida alimentada pela mensagem que lhe fora passada pelo observador naquela cena da Opera House.

O panorama que se apresenta então é: essa Olivia que vemos fragilizada pelas enxaquecas (fruto do experimento secreto orquestrado pela versão vilanesca da Nina Sharp cuja agenda de cooperação com Jones ainda é desconhecida), não tem medo de morrer se consideramos o que ela faz na sequência em que se expõe para convencer um homem a não se explodir. O que ela teme, imagino eu, é a ideia de ter que aceitar que uma entidade que ela não compreende (o observador, claro), possa saber exatamente como se dará sua morte. Um medo compreensível e coerente, sem dúvidas, uma vez que ele evidencia o choque de uma personagem guiada pela razão, e que de repente se vê sem o controle que julgava ter sobre seu ‘destino’.

Com mais um bom e envolvente episódio, Fringe levanta novas perguntas interessantes, dá mais elementos ao cenário principal desse arco da trama (que envolverá o esforço de Walter, ou dos Walters, em ajudar Peter a ‘voltar para casa’) e não abre mão de conferir mais complexidade e intriga aos personagens que, não importa qual seja a versão, surgem sempre fascinantes em suas muitas e inusitadas nuances. #SaveFringe

Palpites para o significado do glyphcode da vez?

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