Once Upon a Time: A Temporada Até Agora

Por Bruna Bottin

Imagine viver num mundo onde as lembranças do seu passado são absolutamente vagas. Imaginou? Pois é num mundo assim, o de Once Upon a Time, que se encontram os moradores da cidade fictícia de Storybrooke,  um lugar que serve como uma espécie de prisão – originada a partir de uma maldição lançada pela Rainha Má – para os habitantes que não conseguem se lembrar do seu verdadeiro passado mágico e lá vivem como cidadãos comuns. Considerando esse panorama, foi bacana me deixar surpreender pela nova série da ABC que, mesmo retratando um velho tema conhecido do público (dos contos de fadas), não se permitiu, pelo menos até agora, cair no clichê. Durante os dez episódios que já foram ao ar, Once Upon a Time manteve uma boa transição entre os dois mundos, apresentando muito bem em formas de flashbacks os momentos em que os personagens viviam normalmente no reino encantado. A cada episódio, fomos conhecendo as histórias de personagens como Branca de Neve, Princípe Encantado, Grilo Falante, Cinderela, Rumpelstiltskin, Caçador e João e Maria – que precisam da ajuda do pequeno Henry, que sabe toda a verdade, para se libertarem do feitiço.

Meu maior receio quando comecei a assistir ao drama foi que os personagens simplesmente passassem a acreditar no garoto, o que ia acabar deixando tudo forçado demais. Mas no atual ponto que a temporada está, vimos que por mais provas que Henry consiga juntar para sua Operação Cobra (nome dado para a missão de libertar os personagens daquele feitiço), a dúvida prevalece na cabeça de Emma (Jennifer Morrison), sua mãe biológica. No episódio The Heart is a Lonely Hunter, em que Graham beija Emma e se lembra da sua real identidade (O Caçador), notamos que, mesmo ele afirmando para ela que acredita na teoria do menino, Emma segue incrédula mesmo após Graham morrer em seus braços. Enquanto para Henry o que importa é trazer à tona a lembrança de todos os moradores da cidade, Emma vai se deixando levar pelo filho, com a desculpa que quer apenas enfrentar e vencer a poderosa prefeita Regina (a bruxa Má).

Ainda que siga um ritmo lento, Once Upon a Time ainda assim se destaca pela evolução de cada episódio. Os criadores da série,  Edward Kitsis e Adam Horowitz (ambos ex-roteiristas de LOST), estão desenvolvendo bem os personagens, como por exemplo o vilão (ou aliado?) Sr. Gold, que segue enigmático e essencial para o andamento das histórias. O fato dele ser um homem que vive de tratos que não podem ser quebrados chama muito a minha atenção. E nisso tudo, ainda não ficou claro para mim se ele consegue se lembrar que é Rumplestiltskin ou mesmo se sabe da maldição que assombra Storybrooke. Outra bela personagem é a Regina, que tanto como prefeita quanto como Rainha Má, aparece sempre muito bem, deixando explícita a ideia de que é uma vilã amargurada e que fará de tudo para seguir mandando em seu pequeno “reino”. No geral, a série está fazendo bom proveito das referências aos contos de fadas, adaptando cada história de forma singular e, no processo, fazendo uma ponte inteligente entre elas.

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