Os Realities Musicais e a Nova Temporada de Idol

Por Davi Garcia

The X Factor, The Voice e American Idol. Opção para quem gosta de reality show musical é o que não falta atualmente, e apontar qual se sai melhor na proposta de revelar novos talentos da música não é tarefa fácil, sobretudo quando se analisa o histórico e as diferenças de cada um deles. Por terem formatos já veteranos, The X Factor e American Idol talvez levem vantagem sobre The Voice, programa que estreou bem 2010, mas que ainda briga para se estabelecer como alternativa forte para o gênero. Assim, o que mais importa no fim, pelo menos para mim, não é necessariamente a capacidade que cada um desses programas tem de dar espaço para gente que realmente saiba cantar (embora isso conte muito, claro), mas sim a forma como se conduzem as estapas de seleção e competição e a diversão que advém desse processo.

E nisso, ainda que apresente claros sinais de desgaste em sua fórmula há pelo menos três anos (ou seriam mais?), o American Idol, mesmo sem Simon Cowel que agora é exclusivo do The X Factor, ainda está na linha de frente quando se busca identificar qual é programa que melhor mescle o contraditório prazer de ver tiradas engraçadas de um jurado espirituoso (como Steven Tyler faz desde 2011), ouvir boas e novas vozes e, claro, de ter aquela sempre presente dose de vergonha alheia extrema garantida por alguns candidatos sem noção. Some-se a isso o fundamental elemento que a sempre competente edição desempenha na fluidez de cada capítulo da longa jornada (no ano passado foram 39 episódios!), um apresentador que consegue ser dinâmico e carismático e pronto: ignorar a força do Idol e sua relevância torna-se quase impossível para quem curte esse tipo de programa.

Em sua 11ª temporada, o Idol, que continua sendo o programa de maior audiência da TV apesar da queda na média, veio com um discurso (repetido a todo tempo por Randy Jackson, o único que faz parte do juri desde o início) de que é hora de recomeçar e encontrar um novo tom ou elemento que altere a fórmula do programa sem descaracterizá-la. Contudo, passados 5 episódios, quase nada mudou (ainda), visto que as audições, embora mais ágeis e ocorrendo em lugares diferentes como Aspen ou mesmo um porta aviões(!), continuam seguindo o mesmo desenho dos anos anteriores, assim como permanece inalterada a dinâmica do trio de jurados, apesar dos esforços da direção em evidenciar um conflitozinho ou outro isolado – como o visto no episódio mais recente exibido pela Fox americana mostrando opiniões bem divergentes entre Jennifer Lopez e a dupla Randy e Steven.

Nesse panorama, entre repetições, pequenas controvérsias (aprovaram a filha do Jim Carrey só por conta do sobrenome ou porque ela realmente sabe cantar?) e tentativas tímidas de mudança, particularmente tenho me divertido com essa nova temporada do Idol, que se ainda não apresentou nenhum(a) grande cantor(a) com estilo singular, autêntico e realmente marcante, pelo menos tem revelado alguns bons candidatos com histórias curiosas (que tal a de Ramiro Garcia, um cara que os médicos diziam que ficaria mudo?) e potencial para tentar algo diferente fugindo da linha mais do mesmo dentro de uma indústria tão competitiva. Sendo assim, meus candidatos favoritos (pela ordem de exibição das audições) até agora são: Philip Philips Jr. (fazendo duas versões ousadas de “Superstition” e “Thriller”), Reed Grimm (com uma pegada bem jazzy), Ashley Robles (que arrebentou cantando o clássico de Whitney Houston, “I Will Always Love You”), Curtis Gray e a bela Baylie Brown que, aliás, já havia tentado a sorte na 6ª temporada.

A 11ª temporada de American Idol estreou no dia 19 de janeiro nos EUA e chega ao Brasil no dia 7 de fevereiro pelo Sony.

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