Smash

Por Bruno Carvalho

A Broadway é a avenida mais extensa da cidade de Nova York, mas é no pedacinho que fica entre as ruas W. 42 e 47 que os famosos musicais tomam vida e encantam plateias do mundo inteiro que chegam à Big Apple para lotar os concorridos teatros. Depois de emplacarem mais um sucesso, os compositores Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle) já começam a pensar no próximo projeto com a ajuda da produtora Eileen (Angelica Huoston), desta vez sobre a vida da atriz Marylin Monroe. Do outro lado da cadeia criativa, a veterana dos palcos Ivy (Megan Hilty) e a inexperiente Karen (Katharine McPhee) disputam uma vaga para interpretar um dos maiores ícones do Cinema.

Essa é Smash, a nova série da NBC que chega com o acertado enfoque de fazer um musical sobre como fazer um musical. Contando com um ritmo rápido e intenso, mas sem jamais soar atropelado, o piloto também gasta tempo apresentando bem cada um de seus personagens – conhecemos a determinação de Julia, que se divide entre um processo de adoção e a vontade de tocar o projeto; acompanhamos a separação de Eileen, cujo ex-marido ameaça bloquear seus fundos e o trabalho duro de Ivy, que há anos luta para conseguir o seu lugar sob o holofote da Broadway em vez de se manter como uma eterna coadjuvante.

Mas é a Karen de Katharine McPhee que rouba a cena em Smash, compondo uma jovem ingênua, mas ambiciosa e adorável. Os números musicais ganham destaque por alternar – em belíssimas montagens – as cenas de ensaios e testes com flashes da visão (ou imaginação) dos envolvidos sobre o produto final (e sem abusar de auto-tune). Até mesmo quando realizam a abordagem clássica, com as atrizes cantando em situações rotineiras, a condução é orgânica e a direção é feliz em retratar os “populares” encarando-as e (e não ignorando-as ou lidando como se fosse uma situação prosaica) em plena Times Square.

Contemporâneo, autêntico, adulto e eficiente até mesmo em abordar clichês inevitáveis como o famoso “teste do sofá”, o roteiro ainda evita, de forma cuidadosa, ser maniqueísta com a rivalidade entre Karen e Ivy (embora imagino que isso seja inevitável em algum ponto futuro da narrativa), fazendo com que torçamos pela “mocinha” pelo inerente fenômeno da identificação com histórias de superação e não porque Ivy Lynn fora apresentada, por exemplo, como uma “vilã” – o que não é. Smash é uma das melhores coisas que a NBC colocou no ar nos últimos anos, além de ser uma belíssima (e verdadeira) homenagem aos musicais e ao agitado e intrigante show business da Broadway.

Smash tem produção de Steven Spielberg, Craig Zadan e Neil Meron (dos musicais Chicago e Hairspray) e estreia nos EUA dia 6 de Fevereiro na NBC e no Brasil será exibida pelo Universal Channel a partir de 28 de Março, às 23h.

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