Work It e ¡Rob!: Os Novos Lixos da TV Americana

Por Davi Garcia

O poço parece não ter fundo. Depois das fraquíssimas Whitney e 2 Broke Girls (para ficar só em duas citações), a temporada 2011/2012 nos trouxe, nas primeiras semanas deste novo ano, Work It e Rob, duas das produções mais horríveis que tive o desprazer de assistir recentemente. Investindo num ‘humor’ de esgoto, rasteiro, óbvio e, em grande parte das vezes, absolutamente ofensivo à inteligência do público, as duas séries surgem como as cerejas podres no topo de um bolo estragado oferecido pela nova safra de comédias da TV americana.

Work It (da ABC) se debruça no argumento de dois homens que, desempregados, transvestem-se de mulher para arrumar emprego numa empresa – que só tem mulheres, diga-se -, de medicamentos. O conceito, que de fato até poderia, quem sabe, render algo realmente bacana se fosse bem conduzido, logo descamba para piadas de cunho machista que revelam um discurso retrógado refletido em situações que colocam os dois protagonistas (um deles feito por Amaury Nolasco, o Sucre de Prison Break) vendendo a ideia de que a mulher só pode se dar bem num ambiente corporativo e competitivo se usar o corpo para tal. Absurdo? Pois é nisso (e na ideia de que as mulheres são sempre falsas) que a série apoia 90% de suas “piadas” (e é triste ver Rebecca Mader, de LOST, numa série dessas).

Rob (da CBS) emula na TV o humor barato e clichê do sempre péssimo Rob Schneider (de filmes como Gigolô por Acidente). Ele é o criador, produtor e um dos roteiristas deste atentado televisivo e interpreta um sujeito cheio de manias que, ao se casar com uma mexicana, encontra no relacionamento que precisa estabelecer com a família da esposa – liderada pelo personagem de Cheech Marin -, o catalisador para situações que exploram toda sorte de gags óbvias (como a da cena em que Rob derruba cera quente no corpo, tira a calça para aliviar a dor e acaba flagrado, num mal entendido, agarrado com a avó de sua esposa) além dos esteriótipos mais batidos em relação à presença de latinos nos EUA.

Agora, sabe qual é a pior parte dessa história toda? Rob estreou com audiência superior a 13 milhões(!), o que praticamente deve lhe garantir, se mantiver números próximos a esse nos 2 episódios seguintes, temporada completa. Enquanto isso, comédias inteligentes e, por isso mesmo, genuinamente divertidas como Community, Parks and Recreation etc. patinam na audiência. E é aí que eu pergunto: de quem é a culpa pelo cenário que dá espaço para coisas como Work It, Rob, 2 Broke Girls e cia.? Das pessoas que criam (e autorizam) essas atrocidades ou de quem as consome e as privilegia com audiências altas?

Atualização de 14/01: Há esperança. A ABC cancelou Work It, que sai da grade após 2 episódios.

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