Por Bruno Carvalho
[com spoilers do episódio 1x07] Em determinado momento de mais um episódio de Alcatraz, a detetive Rebecca Madsen, o misterioso Hausen e o Doutor Soto precisam impedir que o malfeitor da vez, que sequestrou um vagão do metrô de São Francisco, mate dezenas de pessoas com um gás tóxico. Ora, nada melhor então do que estar numa ilha à 2,5 km do continente (veja o mapa abaixo), cuja principal forma de acesso é através de uma balsa, não? E ainda que eles disponham de um helicóptero 24h à disposição (embora nunca tenhamos visto eles entrando de fato em um), estabelecer o seu QG numa ilha não é das ideias mais brilhantes. Pois são inconsistências como estas e outras, como o fato do vídeo que contém a identidade do criminoso simplesmente aparecer do nada na tela do computador de Soto (e só depois o reconhecimento facial é feito), que tornam Alcatraz uma experiência ainda mais boba e inverossímil.

Aliás, o drama ainda não conseguiu estabelecer sua identidade: vezes ventila ser uma série de mistério, quando na verdade não passa de um procedural com investigações prosaicas e desinteressantes. Já se passaram sete episódios e a motivação para os crimes dos prisioneiros de Alcatraz que reapareceram no presente continua sendo” “sou malvadão e ponto”. Os sujeitos ganham a liberdade, adaptam-se facilmente à vida moderna (ora, salvo pontuais menções, eles jamais focam no contraste social/tecnológico que eles deveriam sentir) e a única coisa que pensam é: “vou recriar todos os crimes do passado e tocar o terror”. Algo também que continua sem fazer sentido é a minúscula equipe da “Divisão Alcatraz” aparecer primeiro em absolutamente todos os casos, como se aqueles três fossem onipresentes (algo que não ocorrem em Fringe, por exemplo, e mesmo esta contando com casos que beiram o absurdo, muitas vezes consegue ser muito mais plausível que Alcatraz). Com um roteiro que beira a incompetência e uma produção desleixada, é assombroso constatar que nomes tão fortes como Elizabeth Sarnoff, J.J. Abrams e Sam Neil façam parte de um projeto tão aquém de seu potencial.
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