Por Bruno Carvalho
[contém spoilers do episódio 1x01] Imagine um sonho do qual você não pode, ou melhor, não quer acordar. Esta é a situação do detetive Michael Britten (Jason Isaacs, Brotherhood), que após sofrer um terrível acidente de carro com sua família, se vê preso em duas realidades igualmente trágicas: uma em que sua mulher sobrevivera, mas seu único filho não; e a outra em que o oposto ocorreu. E sem saber o que é verdade ou não, afinal sua mente parece ter criado uma das realidades na tentativa de lidar com o sofrimento pela perda de um dos dois, Michael busca tratamento psicológico enquanto precisa recuperar sua rotina na polícia. Mas este drama começa a ganhar intrigantes contornos quando as duas realidades começam a brigar para se sobressaírem, como na cena em que o detetive comenta com sua psicóloga que o outro terapeuta (do suposto sonho) disse exatamente a mesma coisa na tentativa de se estabelecer com verdadeiro.

Mas o forte de Awake é a sua sensibilidade. Lidando com propriedade com um tema sombrio, afinal Michael precisa vivenciar o luto a cada vez que abre os olhos, o piloto procura explorar esta curiosa situação utilizando a lógica em vez de apelar para o espiritual ou sobrenatural (e a presença de dois psicólogos pra esse trabalho não é à toa, já que eles personificam a razão). Outro aspecto curioso são os elementos conectivos entre os dois “mundos” de Michael: desde o policial Vega (Wilmer Valderrama, de That ’70s Show), que em um dos lados é seu parceiro e no outro é apenas um colega da força, até nos casos repletos de “coincidências” que ele investiga. Awake conta ainda com uma trilha pontual e singela, que comenta as emoções de Michael, seu filho e sua mulher (conforme o caso) em vez de simplesmente evidenciá-las, e uma montagem propositalmente confusa (pois nem sempre sabemos onde Michael está), numa decisão acertada do diretor para repassar ao espectador o sentimento do protagonista. Note também os vários travellings de câmera que costumam contornar as cabeças dos personagens, constantemente mudando o nosso ponto de vista e, consequentemente, nosso referencial. O que é real pode ser relativo, não?
Awake é mais um belo acerto da NBC depois da ótima Smash, restando aqui a torcida para que a série consiga manter todos estes pontos positivos no seu desenvolvimento a partir da estreia oficial em 1º de Março nos EUA.
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