Por Davi Garcia
[com spoilers do episódio 4x14] “Me chamo Setembro, mas isso é apenas um código dado aos membros do nosso time científico. Somos humanos de várias gerações depois da sua. Somos de um dos muitos possíveis futuros da humanidade. Nossa tecnologia nos deu a habilidade de viajar por dentro e por fora do tempo para que pudessemos observar nosso início.” Não foi um episódio épico como prometia, mas respondendo de forma objetiva o mistério (ou parte dele) em torno dos Observadores, “The End of All Things” trouxe um importante desenvolvimento para a trama de Fringe ao mesmo tempo em que basicamente transformou a grande mitologia da série e a principal pergunta da temporada (vemos universos diferentes onde Peter nunca existiu de fato ou apenas a mesma linha do tempo dos dois universos que já conhecíamos, porém com alterações?) em algo ainda mais intrigante, complicado e por isso mesmo mais prazeroso de acompanhar.

Escrito por David Fury, o episódio revisitou momentos de temporadas anteriores refereciando-os sob outra perspectiva de um jeito bem curioso. Nesse contexto, quando vimos Olivia sendo testada por David Robert Jones para acender as luzes da caixa de madeira, lembramos do episódio “Ability”, o 14 da 1ª temporada, em que a agente aparecia tentando apagar as luzes com a mente. Da mesma forma, quando Peter entra na consciência do Observador Setembro, a lembrança mais marcante que surge é a do episódio “Lysergic Acid Diethylamide”, o 19º da temporada passada, aquele do desenho em que Peter e Walter entram na consciência de Olivia e o mesmo que marcava a aparição do ainda misterioso homem que poderia matá-la.

Ou seja, é notório o controle que os responsáveis por Fringe tem da história e o fato de que eles sabem exatamente onde querem chegar com todo esse lance do sumiço/reaparecimento de Peter e como resolver, sem ignorar acontecimentos anteriores da série (vide que até citaram o bebê Henry de novo), questões fundamentais como, por exemplo, a que envolve a explicação do porquê Peter conseguiu retornar e sobretudo de como ele fez isso. Aliás, considerando essa dúvida especificamente, eu, que já cheguei a achar que essa 4ª temporada estivesse realmente nos mostrando universos diferentes daqueles que conhecíamos, tendo agora a aceitar mais a noção de que continuamos vendo a mesma linha do tempo com a única diferença de que ao desaparecer, todo o resto foi ‘reconfigurado’ de alguma maneira para que as coisas fizessem sentido dentro daqueles dois universos em que Peter não exisitia.

Agora, de todos os elementos que este episódio nos trouxe para teorizar, o ponto mais interessante, pelo menos para mim, gira em torno da ideia de que os acontecimentos marcados pela presença de Peter anteriormente e que teriam deixado de existir, começam a ‘vazar’ para dentro desta realidade. Um conceito que chega a ser inclusive aludido com aquela menção das camadas de uma fita VHS que acabam se sobrepondo de um jeito que não dá para apagar tudo totalmente. Nisso, poderia residir, inclusive, toda a explicação dos motivos de termos visto Peter aparecendo para Walter e Olivia em sonhos em em sons no início da temporada antes mesmo de ressurgir no lago Reiden e do fato dele acabar contribuindo para que Olivia recobrasse sua memória, digamos, original. Será?

Sejam lá quais forem as respostas ou resoluções que venham pela frente, uma coisa, contudo, já parece certa com o desfecho do episódio: a de que a relação de Peter com Olivia carrega todos os contornos de uma tragédia. Assim, ao passo em que ele acredita que ela não é a mulher com quem se envolvera e que é melhor se afastar para não provocar danos ainda maiores, ela sofre com a perda da vida que julgava conhecer e ao absorver a consciência da Olivia que conhecíamos, tem que lidar com uma terrível rejeição. Em suma: com tanta coisa acontecendo na trama e com tantas possibilidades à vista, os roteiristas da série se revelam sádicos tanto com estes dois personagens, quanto conosco, já que depois de nos oferecerem mais um capítulo mindfuck de Fringe, eles nos obrigam a encarar quase um mês inteiro de espera pela continuidade da série. Como aguentar?

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Outras perguntas:
- Se a Nina que aparecia presa com Olivia na verdade era a Nina do lado de lá em cooperação com Jones e a responsável pelos testes que a agente sofrera ao longo desse período, como explicar o fato da ‘nossa’ Nina nunca ter cruzado consigo mesma pelos corredores da Massive Dynamic? Tem algum shapeshifter na jogada? Se sim, qual Nina está morta?
- E se o “Você tem que morrer” dito por September” para Olivia no episódio “Back To Where You’ve Never Been” (o 4×08) não foi literal, mas sim algo no sentido de que a consciência que ela tinha até ali é que precisava ‘morrer’ para que ela se lembrasse de Peter e com isso pudesse dar sequência aos eventos que, na ótica dele, tem que acontecer?
- E o glyphcode da vez falando em união, hein? Dica de que os dois universos precisam se tornar um só ou que Peter precisa se reconectar com Olivia para que Henry possa nascer no universo correto a fim de concluir alguma coisa importante na história?
Palpites e teorias para essa imensa e deliciosa salada de Fringe?
Considerações Adicionais, por Bruno Carvalho
Um episódio fantástico. Ressalto aqui os momentos que se transcorreram na sequência que se passou na consciência conjunta de September e Peter – que me lembrou muito a conversa que Neo teve com o Arquiteto em Matrix Reloaded – e que merecem atenção. Ao mencionar a interferência que o próprio Observador causou no mundo culminou na subsequente corrupção da linha temporal. E note a escolha deste termo, “corrupção”: ele não disse destruição, substituição ou algo do tipo. Houve uma corrupção e aquilo que está corrompido pode ser consertado. Outra frase de September é fundamental para sanar a dúvida de que de fato estamos no mesmo Universo de sempre, conforme apontei anteriormente. “Você teve [um filho]. Quando você fez o sacrifício de entrar na máquina, você não foi o único que deixou de existir”. Mais à frente, ele completa: “Você conseguiu retornar em forma física”.
Veja bem, se Peter estivesse em outra linha temporal, isso significa que seu filho existiria, assim como a Olivia Dunham e o Walter originais. Mas não. O Observador diz ainda que Peter conseguiu “retornar”, ou seja, ele não foi para outra linha temporal ou para um Universo A2. Ele está no mesmo Universo e numa linha temporal alterada, corrompida, mas austeramente a mesma. Aliás, revendo todo o diálogo e o momento em que o Observador mostra a Olivia com quem ele deve ficar, percebo que Peter realmente se confundiu. September disse que a Olivia correta era aquela e não a do outro Universo – a FauxOlivia com quem ele teve um filho. Assim, como o Davi mencionou acima, Fringe inicia um período sombrio delineando uma verdadeira tragédia grega entre Peter e Olivia. Uma pena que um novo episódio só virá no dia 23 de Março.
Categoria: Fringe
Postado 25/02/2012 17:30:31







