Por Davi Garcia
[contém spoilers] Quando soube que Shonda Rhimes faria um episódio de Grey’s Anatomy numa espécie de realidade alternativa, o primeiro pensamento que veio à mente foi, “ih, lá vém um episódio para encher linguiça e fazer número na temporada.” Ledo engano. “If/Then”, 13º episódio do 8º ano da série, não é um episódio maravilhoso (ainda que seja bem divertido pelas surpresas), nem vai figurar na minha lista de favoritos, mas é certamente mais um ponto marcante numa temporada que, na minha opinião, recolocou Grey’s Anatomy nos trilhos e mostrou que a produção ainda tem um fôlego razoável para brigar com a concorrência.

Mostrando um Seattle Grace chefiado por uma implacável Ellis Grey (que neste universo ‘fringeano’ não foi consumida pelo Alzheimer e levou adiante seu romance com chief Weber casando-se com ele), o episódio brincou com uma sequência de inversão de dinâmicas tanto no comportamento quanto no relacionamento estabelecido entre os personagens. Meredith, por exemplo, é noiva de um Alex tão político quanto interesseiro, e surge como uma médica mimada e protegida pela mãe e que por isso é vista com maus olhos pelos colegas. Nesse contexto, Cristina Yang (que surge com um visual mais cuidado, mas é tão durona quanto a que já conhecíamos) não é nem de perto sua melhor amiga, e Derek, ainda casado com Addison, mas passando por um grande conflito, parece desprezá-la.

Na essência, o episódio situa todos os personagens da série com facetas diferentes, mostrando-os não como os médicos brilhantes e de personalidades fortes que conhecemos, mas sim como figuras totalmente absorvidas e sufocadas pela presença e pelo estilo massacrante de Ellis Grey que, como diagnostica a própria Meredith a certa altura do episódio, faz de tudo para diminuir os outros para que ela possa ser a grande estrela. Este comportamento, aliás, surge refletido na versão contida, acuada, sem garra e confiança da Bailey que vemos neste episódio.

Cheio de momentos inspirados (incluindo aí até as leves cutucadas que Shonda dá nos personagens que já sairam da série, como Izzie que é lembrada como uma louca e O’Maley como um interno reprovado que nunca mais voltou) e defendendo a ideia de que o destino sempre dá um jeito de ‘consertar’ as coisas, “If/Then” ficará marcado como um episódio curioso e divertido na história da série, mas que termina deixando no ar uma certeza irrefutável: a de que a versão original do Seattle Grace é bem mais interessante. Ou não?
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