Por Davi Garcia
[sem spoilers] Considerando as discussões que poderiam surgir da ideia que sustenta Person of Interest (uma sociedade vigiada constantemente por um sofisticado sistema de monitoramento), dá para imaginar que a produção assinada por Jonathan Nolan em parceria com J.J. Abrams poderia ter um resultado bem mais ousado se fosse exibida num canal fechado como a HBO ou o Showtime, por exemplo. Isso, contudo, não anula o fato de que a série tenha amadurecido ao longo dos 16 episódios exibidos até aqui na tv aberta americana, encontrando não apenas equilíbrio, mas também ritmo e uma identidade atraente que permitiu a ela dosar o tradicional ‘caso da semana’ com o desenvolvimento de uma história maior de fundo (com nêmesis surgindo tanto para Finch quanto para Reese) e que a cada novo episódio vai revelando novas camadas para a trama central. Nesse panorama, é notória a melhora tanto nas atuações e nos diálogos, quanto no nível de suspense das tramas que se constroem em torno dos coadjuvantes (tanto Carter quanto Fusco parecem mais integrados aos acontecimentos) e, principalmente, dos personagens de Jim Caviezel (seu John Reese vem progressivamente deixando de parecer um andróide frio e infalível para se tornar uma figura cheia de segredos e mais complexa) e Michael Emerson que, ao abandonar a posição de elemento expositório que funcionava quase como um observador de luxo dos eventos, viu seu Harold Finch ficar mais à vontade se transformando num personagem com mais profundidade (dadas as revelações que vão surgindo sobre seu passado) e mais carismático à medida em que passa a participar da ação em cada episódio. Como já mencionei em outras ocasiões, Person of Interest não é a melhor série nova da atual temporada, mas é sem dúvida um procedural que conseguiu fugir do lugar comum estabelecendo-se, na minha opinião, como uma das melhores e mais divertidas opções para quem curte o gênero. E vocês, o que tem achado da série?





