The Good Wife

Por Bruno Carvalho

[contém spoilers] The Good Wife certamente está em seu melhor momento até agora. Conforme eu disse no post das 10 Melhores Séries de 2011, o drama é capaz de desenvolver diversas e intrigantes tramas em cada episódio de forma magnífica e coesa, abordando temas como guerra, religião, corrupção, lobby de empresas, bastidores da política e sórdidos casos. Além disso, apesar de essencialmente ser uma série de  ”caso da semana”, estes sempre estão ligados, de uma forma ou de outra, à história principal guiada por Alicia Florrick. Nos últimos episódios vimos a situação das apostas de Will no jogo de basquete crescer, até chegar no ápice no último e excelente episódio Another Ham Sandwich com o júri comandado por Wendy Scott Carr a mando de Peter por ciúmes. Os depoimentos de várias figuras do Lockhart/Gardner foram um espetáculo à parte, notadamente aquele protagonizado pelo escuso causídico David Lee, sob o comando da esquisita, mas sempre brilhante Elsbeth Tascioni (interpretada com um vigor único pela atriz Carrie Preston). Foi como testemunhar uma suja batalha de xadrez em que a promotoria de Illinois acabou perdendo. É notável, ainda, um roteiro que permite seus personagens colocarem todas as cartas na mesa, como no intenso diálogo entre Peter e sua ex-mulher, onde ele admite que tudo aquilo é uma retaliação pessoal a Will. Mas a guerra não foi vencida. The Good Wife sabe muito bem construir uma grande história, plantando pistas lá atrás e que serão muito bem utilizadas no futuro.

Em paralelo, o sempre astuto Eli Gold conduziu com maestria a aquisição de mais uma conta e espero que ele esteja mais envolvido nos assuntos do escritórios que em campanhas políticas daqui pra frente. A estranha sensação de quietude sentida por Alicia ao final do Grand Juri (aliás, curioso este procedimento de indiciamento da justiça de Illinois, que não permite o contraditório e a ampla defesa do acusado) é tão efêmera quanto frágil. E graças a sempre útil Kalinda, as coisas podem ficar muito complicadas para a “boa esposa”, com o inevitável retorno do caso do documento forjado no processo de alienação afetiva apresentado mais cedo nesta temporada e à óbvia perseguição que Wendy iniciará depois que fora (merecidamente) humilhada pelo seu chefe e ex-oponente. Destaco, ainda, o personagem de Cary Agos como um dos mais complexos e interessantes nesta incrível sequência de episódios. Dinâmico, ambíguo e sempre imprevisível, Cary pode ser um elemento chave para o destino de Alicia, pois enquanto é implacável como promotor de justiça, ele também é fiel e justo. Não há nenhuma série na TV aberta americana com a densidade dramática de The Good Wife, que já é uma das melhores séries jurídicas da TV.

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