Por Bruno Carvalho
[com spoilers dos episódios 5x01 e 02] O repetitivo som de teclas de máquinas de escrever e o toque incasável dos telefones compõe a melodia de fundo enquanto a fumaça dos então populares cigarros sobe no ar. É, estamos de volta a década de 60 na nova fase da Sterling, Cooper, Draper, Pryce. As coisas mudaram, a agência respira modernidade. O tão descolado Roger virou um dinossauro que passa o dia fazendo piadinhas com as secretárias, enquanto espia a agenda do agora ocupado Pete para entrar de penetra nas várias reuniões de negócios que ele fecha. Já Don continua incorrigível, agora recém-casado com a europeia e descolada secretária Megan. Mad Men retornou com um episódio duplo e repleto daquilo que a série sabe fazer de melhor. Na agência, acompanhamos os sempre interessantes pitchings a clientes e a constante disputa de egos (e de espaço físico) dos cinco maiores sócios. Fora dela, a nova dinâmica familiar de Don e as dificuldades enfrentadas por Joan com o filho que decidiu ter ganharam destaque. E mesmo que não seja repleto de grandes acontecimentos, o drama segue como um estudo profundo de personagens que, direta ou indiretamente, são influenciados pelas rápidas e drásticas mudanças na sociedade daquela época.

A mais notória delas é a força que os movimentos em prol dos direitos civis para mulheres e negros no início da segunda metade da década de 60, onde a história está agora estabelecida. Até então não era apenas comum, mas aceitável hostilizar e discriminar aqueles que buscavam nada mais que a igualdade de direitos, como no caso de Lane ao preferir ficar com uma carteira esquecida no táxi em vez de entregá-la para o motorista negro devolver ao dono – comportamento que embora já fosse reprovável naquela época, ainda era largamente praticado (aliás, até hoje, quase 50 anos depois). A submissão das mulheres também começava a ficar cada vez mais distante. Veja Megan, por exemplo, com sua espontaneidade e independência ao organizar a surpresa para Don (hilariamente estragada por Roger), a despeito do que ele – o homem da relação – queria ou não. E justo Don, que por décadas se escondeu atrás de uma fachada e um pseudônimo, teve sua vida exposta a meros “conhecidos” quando sua esposa resolveu presenteá-lo com o Zou Bisou Bisou, de Gillian Hills, e sem direito de achar ruim.
Mas se tem alguém que roubou a estreia desta 5ª temporada de Mad Men foi mesmo John Slattery, que construiu um Roger Sterling ainda mais subversivo, inconsequente e hilário, com a exata dose de resignação pelos duros golpes que recentemente levou nos negócios, evidente no momento em que ele acorda de madrugada para pegar o ferry de Staten Island na tentativa de invadir a falsa reunião que Peter marcou na Coca-Cola. Foram duas horas impecáveis que mostraram que os sinais dos novos tempos estão aí, e parece que esta vai ser uma grande temporada!
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Outros destaques:
- Roger Sterling para sua esposa: “Por que você não canta como ela?” – referindo-se a Megan e a resposta: “Por que você não se parece como ele?” – apontando para Don.
- Foi comovente a reação de Joan na sala de Pryce ao saber que não apenas é relevante, como sua falta foi sentida pela agência. Será que a série fará um paralelo da vida de Joan com o bebê para aquela que Peggy abdicou ao entregar seu filho com Pete para a mãe? Aliás, notaram o desespero de Pete quando viu Peggy com o bebê de Joan? Passou da hora de isso voltar a tona também.
- O canal AMC disponibilizou o single Zou Bisou Bisou, gravado pela própria intérprete de Megan Jessica Paré, no iTunes!
- O que foi feito de Betty, que sequer deu as caras nestes episódios?





