Por Bruno Carvalho
[com spoilers dos episódios 1x05 e 1x06] Como eu disse nos comentários do piloto de Smash, seria inevitável que a série seguisse numa campanha maniqueísta para vilanizar Ivy em prol de Karen. Mas a cada vez que isso acontece, seja pelos ataques de estrelismo da loira ou quando o diretor coloca Karen para “ensinar” a protagonista propositalmente para criar intriga, a personagem de Megan Hilty fica ainda mais interessante e complexa, enquanto Katharine McPhee não consegue tirar Karen da unidimensionalidade. Aliás, é curioso notar que assim como em Marylin: The Musical, Hilty é a atual protagonista de Smash (apesar dos cartazes e promos afirmarem o contrário) e McPhee estabeleceu-se no posto de coadjuvante após o piloto. Seria proposital? Hmm… Em Let’s Be Bad a série trouxe a primeira grande montagem completa do musical, que foi espetacular. Mas “fora” da Broadway, a tramas pessoais de Julia – o filho adolescente que não decide se é uma criancinha chorona querendo irmã ou um marginal maconheiro; e o assistente traíra – empobrecem a narrativa pela falta de relevância. E ainda que não seja nem um pouco ruim ver Katharine McPhee de lingerie cantando, aquela cena dela no quarto foi um dos momentos mais “vergonha alheia” da série, já que o número simplesmente não encaixou na história.

Mas em Chemistry as coisas melhoraram consideravelmente, pois os problemas vocais de Ivy – algo que realmente pode acontecer com qualquer cantor – ameaçaram o cargo da loira, faltando pouco tempo para os Workshops com a plateia de players e investidores. Essa situação também aflorou ainda mais a misoginia do diretor Derek, que se mostrou interessado em Ivy apenas para o sexo e voz, chegando ao cúmulo de forçá-la a tomar esteroides com perigosos efeitos colaterais apenas para não prejudicar o ritmo dos ensaios. Já Eileen continuou em sua luta para conseguir mais investidores para a peça (com sua elegância ímpar). A série parece ter encontrado um “caso pessoal” relevante para Julia, já que o (bem construído) affair dela com o músico já influencia na morosidade da letrista em liberar os roteiros. Infelizmente o ótimo capítulo foi mais uma vez manchado por um número musical fora de lugar e propósito; aquele com Ivy cantando na cama. E se a interessante montagem que indicava que ela estava imaginando alguns daqueles momentos favorecia a série, a quebra da quarta parede se mostrou desnecessária e artificial. A apresentação de Karen no Bar Mitzvá, por sua vez, teria sido impecável se não fosse pela inexplicável presença de backing vocals no áudio, sendo que elas sequer existiam no local do show.
Smash segue promissora e divertida, com belos momentos como o ataque que Ivy teve ao final do capítulo evidenciando a pressão e as injustiças do diretor, que provam que ela realmente se estabeleceu no centro da série. No próximo episódio começam os Workshops e espero que o musical mantenha este bom ritmo e corrija os pequenos deslizes que o enfraquecem.
![]()





