Smash: The Workshop

Por Bruno Carvalho

[com spoilers do episódio 1x07] O processo de produção de um musical da Broadway leva em média 5 anos; vai desde a sua concepção, passando pela captação de recursos, seleção de elenco, roteirização, composição, ensaios, workshop, ajustes, tryout, previews e abertura. A maioria dos musicais sequer vê as luzes da Broadway e é nesse difícil mercado que Marylin: The Musical precisa entrar. Em The Workshop acompanhamos uma das etapas decisivas para que um musical avance ou não. Alguns workshops chegam a ter uma produção completa, com elenco, atos, figurino e cenário. Mas este não foi o caso, graças à dificulade que Eileen enfrenta para captar investimentos, bem como a morosidade de Tom e Julia em liberar roteiros e letras. E é aí que reside a beleza de Smash: o envolvimento pessoal. Esta abordagem, injustamente criticada por muitos, faz com que a série deixe de ser um documentário de produção para se tornar um drama relevante sobre os bastidores do teatro na Broadway.

A série cresceu muito desde o piloto, apresentando agora casos pessoais relevantes, como o da chegada da mãe de Ivy, uma lenda da Broaday (interpretada por outra lenda da Broadway, Bernadette Peters) que não perde a chance de ofuscar o talento da filha na tentativa de protegê-la. E enquanto a série vai tornando a loira cada vez mais complexa e interessante, Karen continua em segundo plano, agora dividindo o seu tempo com um estúdio de gravação. O envolvimento de Julia com Michael, por sua vez, supera as crises do filho adulto/criança que ela tem (e provavelmente um dos personagens mais mal construídos de séries no ar). O workshop em si trouxe o resultado do trabalho que estávamos testemunhando nos capítulos anteriores. Foi uma decisão criativa acertadíssima apresentar (ainda que repetindo) os números que vimos serem construídos nesta montagem parcial. E propositalmente o destaque do workshop foi Michael Swift, com a brilhante interpretação do personagem Joe Damaggio, para evidenciar à Eileen a parcialidade de Julia em dispensá-lo.

Interessante como Smash está organizando a sua grande virada de mesa: ao indicar que provavelmente Ivy precisará ser substituída por alguma estrela mais famosa na tentativa de atrair mais investidores, só consigo imaginar que esta pessoa seria Karen – que certamente ganhará um emergente e rápido sucesso na música. Será? Eu apenas sei que até agora Ivy tem muito mais de Marylin do que Karen, mas todos nós sabemos que isso também é show business, não é?

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