Fringe: Letters of Transit

Por Davi Garcia

[com spoilers do episódio 4x19] No ano 2036 de Fringe, não existem skates que flutuam ou mesmo carros que voam como nos filmes De Volta Para o Futuro, mas existe um regime totalitário comandado pelos observadores que aparentemente se cansaram do livre arbítrio mal usado pelo humanos (e de suas escolhas) num futuro ainda mais distante e, como remédio, voltaram no tempo para tomar o controle de tudo e estabelecer um mundo onde a liberdade de ir e vir (referência que o título do episódio, “Letters of Transit”, já faz inclusive) é um conceito que não existe mais e a prática comum é a opressão em sua forma mais radical. Em suma, um mundo absolutamente diferente e desconectado daquele(s) que a série e a temporada em si vinha nos mostrando, mas que sem dúvida nos deu um vislumbre interessante sobre o espaço que a narrativa de Fringe ainda tem para se expandir sem perder a capacidade de nos contar histórias que nos intriguem e divirtam.

Apresentando um panorama curioso sobre o futuro – que não deve ter ligação com aquele mostrado na 3ª temporada, visto que a atual temporada lida com uma linha do tempo reescrita – redescobrimos uma sucateada divisão Fringe ainda comandada por Broyles, mas que agora responde ao poder dos observadores controladores atuando como uma espécie de força policial de apoio. É nesse contexto que conhecemos os agentes Simon Foster (Henry Ian Cusick, o eterno Desmond de LOST em boa participação especial) e, surpresa!, Henrietta (a filha que Peter deveria ter com a Olivia ‘certa’ conforme indicara September no episódio “The End of All Things”), dois personagens que ali desempenham papéis fundamentais na força de resistência rebelde que ganha novo fôlego com o reforço de um confuso Walter (então preso no âmbar por duas décadas) e, posteriormente, de Astrid e do próprio Peter.

Assim, ainda que não dê para dizer que relação exatamente este episódio evento pode ter com a mitologia explorada pelo 4º ano da série até aqui (ou mesmo da série toda), gostei demais do aperitivo que nos foi dado em mais um belo capítulo que, mesmo isolado do escopo geral, conseguiu não só criar uma ambientação envolvente para um cenário novo dentro da história de Fringe, mas sobretudo introduzir dois bons personagens que, espero eu, ainda possamos revisitar numa por enquanto incerta 5ª temporada.

Outras observações:

- “Esses não são os droids que você procura.” Walter, na cena em que deixa claro ser fã de Star Wars. Tem como não amar este personagem?

- Que bela surpresa essa Georgina Haig que fez Henrietta, hein? Excelente a forma como ela refletiu os maneirismos de Olivia sem necessariamente imitá-los, o que certamente trouxe ainda mais peso para a cena que ela dividiu com Peter no finalzinho do episódio.

- Que universo é aquele que o episódio nos mostrou? O ‘nosso’ ou uma fusão dos dois? Se tivesse que escolher apostaria na primeira, mas se a resposta for essa, o que aconteceu com o outro lado? Destruído ou a ponte que os unia se perdeu?

- E que tal a aparição de William Bell preso no âmbar e a acusação (por parte de Walter) de que ele fizera alguma coisa grave com Olivia? Seria ele o responsável por cumprir a profecia do tal sacríficio de Olivia que September já destacara?  Aliás, se Bell estava vivo no passado, seria exagero imaginá-lo como sendo o cara por trás das iniciativas de Robert Jones, talvez? Enfim, os comentários são de vocês!

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