Por Davi Garcia
[com spoilers do episódio 4x18] Se o mundo da televisão fosse sempre pautado pelo senso de justiça e merecimento, Fringe terminaria após uma 5ª temporada de 13 episódios e John Noble seria pelo menos indicado ao Emmy de melhor coadjuvante. A chance das duas coisas acontecerem ainda existem (há boatos apontando para a posibilidade da Fox fazer o anúncio oficial da outrora improvável renovação da série ainda esta semana!), mas caso uma reviravolta negativa ocorra, eu me contentaria com um spin off protagonizado pelo intérprete de Walter Bishop no qual ele faria comentários ácidos e de duplo sentido sobre tudo que quisesse e pudesse: política, economia, comportamento humano e, claro, ciência. Não é nenhuma novidade o fato de que Noble é a grande força motriz de Fringe com seu carismático e complexo personagem, mas se alguém ainda tinha qualquer dúvida sobre a importância que Walter tem para sustentar o desenvolvimento da trama, boa parte do nosso interesse pela série e, no processo, nos divertir com conclusões e tiradas espirituosas bem pontuadas, este belo episódio “The Consultant” certamente as dirimiu.

Primeiro porque nos deu a chance de vermos o personagem esbanjando um orgulho ingênuo (e de certa forma contagiante, por que não?) alimentado pelo retomado relacionamento de Peter com Olivia (um evento, aliás, que o fez recobrar o ambiente familiar que ele perdera nessa linha temporal reescrita) e segundo porque abriu espaço para que pudessemos vê-lo em ação efetivamente ao visitar o lado de lá onde não só teve ótimas cenas com (B)Olivia, bem como ajudou a desvendar o grande esquema armado por David Robert Jones além de forçar indiretamente a resolução do pequeno mistério envolvendo a colaboração de Broyles (que no fim não era mesmo nenhum shapeshifter) com o homem que quer provocar um caos literalmente universal aqui e lá. Não sei para onde Fringe caminha nessa reta final de temporada ou mesmo que surpresas e reviravoltas reserva para encerrar sua jornada ou expandí-la para um último ano, mas de uma coisa eu sei: quando tudo acabar, sentirei saudades das boas reações que a série desperta com seus personagens e suas histórias que são tão mirabolantes quanto envolventes e divertidas.
Outras observações:
- Difícil escolher qual foi a melhor tirada de Walter do lado de lá. Aquela em que ele explica o fato de se referir a (B)Olivia como sua acompanhante fazendo questão de dizer que ela não era uma prostituta ou aquela em que ele promete evitar o hábito de ficar nu ao ser convidado pela ruiva a dormir em seu apartamento.
- A perspectiva realmente muda tudo, não? Se condenar Broyles pelo que fez seria uma escolha óbvia, a coisa muda de figura quando a revelação da motivação da ação dele envolvia a busca da qualidade de vida de seu filho. Uma situação que refletia justamente boa parte daquilo que o próprio Walter fizera.
- Gostei muito do episódio, mas é justo fazer uma ressalva: se a intenção de Jones era expandir os efeitos daqueles acontecimentos bizarros lá e cá através do dispositivo implantado na máquina e, consequentemente, gerar, quem sabe, o próprio fim de um universo (ou mesmo dos dois), foi meio idiota da parte dele tentar usar o bem estar do filho de Broyles como fonte de chantagem, visto que se o chefe da divisão Fringe levasse o plano adiante, ele automaticamente colocaria o filho em risco de qualquer forma, não? Enfim…
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