[com spoilers do episódio 2x03] Sob o risco de fazer uma leitura mais precipitada, é difícil avaliar a eficácia e o peso real que um episódio mais lento como esse “What Is Dead May Never Die” (frase que faz referência ao lema do deus adorado pelos Greyjoy e os homens de ferro, como bem apontou o leitor Fred Bruno) terá no decorrer da trama e dos muitos desenvolvimentos que ainda virão. Assim, ainda que eu não possa dizer que este tenha sido um dos capítulos mais empolgantes de Game of Thrones para mim (uma sequência de ação a mais, por exemplo, além daquela que encerra o episódio talvez não fizesse mal), seria injusto não reconhecer alguns bons méritos no roteiro escrito por Bryan Cogman, que soube dosar, com relativo equilíbrio, a complicada missão de seguir mostrando e capturarando as singulares atmosferas que envolvem a complexa disputa pelo poder nos mais variados cantos de Westeros.

Contando com uma abertura que coloca em choque o código moral ‘ingênuo’ de Jon Snow com a verdade dura e crua dita pelo comandante (“[Apesar do que ele faz] precisamos de homens como Craster”), o episódio faz logo em seguida uma boa e rápida transição para Winterfell onde Bran volta a falar de seus curiosos sonhos e a ouvir palavras de Luwin que refutam a existência e a importância da magia naquele mundo. Um mundo ‘novo’ que não só nos apresenta uma mulher guerreira (Brienne) que serve ao rei Renly Baratheon, bem como deixa clara a noção de que o pensamento aparentemente liberal de Margaery Tyrell para com o marido homossexual, esconde intenções muito mais escusas do que uma primeira impressão possa dar. Nesse contexto, ao passo em que Catelyn Stark encontra dificuldades e resistências para confirmar a aliança e o apoio de Renly nos esforços de guerra de Robb, Theon Greyjoy decide tomar partido abrançando suas origens e ignorando os laços que o uniam aos Starks.
Contudo, como já acontecera nos dois episódios anteriores, quem mais uma vez roubou a cena foi Tyrion Lannister que com uma inteligente jogada (envolvendo uma suposta história de aliança com rebelados a partir do casamento da filha de Cersei), conseguiu não só manipular os membros mais proeminentes do conselho do rei e identificar aquele que poderia lhe representar uma ameaça mais significativa (o velho Pycelle), bem como proteger seu ponto fraco e ainda protagonizar, ao lado do sempre suspeito Varys, um bom diálogo envolvendo a discussão sobre o fato do ‘poder estar onde o homem acredita que ele esteja’, um tema que será recorrente na temporada. Que a sequência deste segundo ano de Game of Thrones, portanto, justifique a preparação de terreno feita por este apenas bom terceiro episódio.
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