Scandal: Primeiras Impressões

Parte I, por Bruna Bottin

[com spoilers do episódio 1x01] Enfim estreou na semana passada a nova série de Shonda Rhimes, Scandal. A roteirista, famosa pelos dramas médicos Grey’s Anatomy e seu respectivo o spin-off Private Practice, trouxe na bagagem um novo drama – dessa vez longe dos corredores hospitalares – que promete nos mostrar os bastidores de várias crises políticas, pessoais e empresariais. O primeiro capítulo de Scandal, Sweet Baby, nos apresenta tudo muito rapidamente, inclusive sua protagonista Olivia Pope (Kerry Washington), uma advogada especializada em gerenciar crises onde quer que elas existam, e é boa no que faz. O capítulo inteiro a vimos afirmando sobre sua intuição (que aparentemente nunca falha) e acompanhamos uma dinâmica forçada entre toda sua equipe, composta por outros cinco funcionários obedientes. Todos concordam plenamente com os sentidos aguçados de Olivia, apesar de realizarem uma espécie de votação antes de aceitarem ou não um caso.

Vendida como uma personagem forte e destemida pelo roteiro, essa impressão caiu por terra quando vimos que a moça, na verdade, é uma fraca e iludida quando se trata de amor. Ela tem um caso secreto simplesmente com o Presidente dos Estados Unidos! Além disso, contratada pelo chefe do executivo americano para abafar as denuncias de assédio por uma funcionária da Casa Branca, ela ainda cai na lábia do sujeito, mesmo sabendo por experiência própria se tratar de um mulherengo. O episódio trouxe ainda o caso de um herói de guerra republicano que se torna suspeito de um crime, mas com um álibi que o exporia publicamente, com um desfecho apenas razoável e clichê. Difícil prever como será o desenrolar dos próximos “casos da semana” e do relacionamento confuso entre Olivia Pope e o Presidente. Nesse contato inicial com a série fica a impressão de que pouca coisa pode surpreender, mas quando o nome Shonda Rhimes está no meio sempre aprendemos a criar esperança, certo?

Parte II, por Bruno Carvalho

Assim como a Bruna disse acima, eu fiquei sem entender qual é a de Scandal. Olivia Pope é uma advogada que não advoga e tem um escritório de advocacia que não pode ser chamado assim, pois eles “não recorrem à justiça”. OK, ela presta consultoria, então? Não. Ela é uma “gestora” de crises, uma espécie de Eli Gold de saias, mas com um texto piorzinho. A equipe dela também é inexpressiva, a começar pela mocinha que é recrutada para trabalhar na nova firma. Também não sei o que dizer como o roteiro de Shonda Rhimes conseguiu apagar por completo o ator Henry Ian Cusick. Se eu não o conhecesse por seu trabalho fenomenal como o Desmond de LOST, diria que ele é um péssimo intérprete, pois passa por todo o episódio sem acrescentar nada à trama. O design de produção de Scandal também é bem esquisito. O escritório é desnecessariamente sombrio, os figurinos são carregados e aquele não parece em nada um local de trabalho. Me lembrou muito o esconderijo de algum vilão do Batman. Além disso, a série é gravada com um excesso de chroma key para simular locações externas em Washington, tornando ainda mais difícil a identificação do público com o que está sendo mostrado e proposto. Pode ser que melhore? Sim, como qualquer outra produção, mas a primeira impressão é que Shonda Rhimes se sai melhor escrevendo séries médicas, que é o que conhece. Sua primeira aventura no mundo jurídico foi bastante irregular.

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