Touch: Safety in Numbers

[com spoilers do episódio 1x03] O grande problema de Touch até agora é que Tim Kring insiste em querer contar uma história mediana através de coincidências absurdas com um toque paranormal, exatamente aquilo que levou Heroes à sua ruína. Porém enquanto a série dos heróis possuía um apelo mais universal e cool com a abordagem de quadrinhos, esta tem como protagonistas um Jack Bauer retraído e um garoto pra lá de irritante que “sente a dor do Universo através dos números“. Ai, Tim… Veja neste terceiro episódio, por exemplo: a narrativa é tão frágil, que o número “3287″ que o garoto escreve no início do episódio vem a ser o número de um prédio, da senha de um cofre, o contato para mandar mensagem de texto numa competição de dança e por aí vai, como se isso, por si só, fosse algo “genial”. Em vez de tornar os números um “meio”, em meras referências à própria mitologia da série como era feito em LOST, Tim Kring faz deles o “fim”, sem ao menos conseguir sustentar de forma lógica a própria premissa.

O capítulo contou histórias desinteressantes e desconexas, que às vezes sequer se entrelaçavam direito, como a tal competição de dança pelo computador em que o menino africano participava, enquanto acompanhávamos o caso da mãe e seu panelaço contra o abuso doméstico do marido da amiga. A preocupação com a parte técnica do episódio também não é lá das maiores, pois na cena da disputa entre o menino africano e o profissional, a câmera subjetiva que deveria estar fixa em uma webcam no computador “magicamente” passou a percorrer a sala de aula onde os garotos estavam, transmitindo esta imagem com movimentos para os EUA (e não era um dos garotos com a câmera na mão, pois todos são filmados pela webcam flutuante). Isso sem falar nas avulsas e irritantes meninas japonesas e aquele celular, que uma hora acabará voltando para seu dono (não é óbvio?) e Tim Kring achará que merecerá um Emmy por isso. Mas o que mais incomoda em Touch é mesmo o garoto Jake e esse “dom” que não faz o menor sentido (ou não tem a menor importância), especialmente quando coloca à cargo do pai a responsabilidade de resolver todos os tais “males” do Universo em horário comercial (o cara desistiu de trabalhar, né?). E mesmo resolvendo-os e “aliviando a dor dos números” (dor mesmo é escrever isso), o menino segue irritante. Apelando sempre para um sentimentalismo de atacado com montagens e trilha cafonas, Touch continua sendo um desperdício de tempo e recursos, como só Tim Kring é capaz de fazer. “Ah, você está pegando no pé de Tim Kring“. OK, estou, mas com conhecimento de causa. Ou vocês já engoliram os 4 anos de Heroes sem final?

Bom, pra quem curte o colega Tim, ofertas dele aí embaixo:

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