[com spoilers do episódio 1x09] Ao contrário do que o colega Thiago de Goés afirmou na resenha anterior, não considero que Game Day tenha sido o pior episódio de Awake até agora. Embora sem adentrar diretamente na mitologia da série, o capítulo apresentou um belo diorama da dualidade presente na mente de Britten, representado por um importante jogo de futebol americano que mexeu com as duas realidades. Não coincidentemente, ambos os lados – vermelho e verde – estavam representados na disputa esportiva, assim como ocorre nos mundos que o detetive vivencia internamente. Os casos da semana, embora não empolgantes, concordo, ocorreram curiosamente em virtude de desdobramentos do resultado de cada partida. Assim, quando o time verde perde, um crime acontece de um lado e, quando o mesmo ocorre com o time vermelho em outra realidade, um diferente sinistro ocorre. E se um dos mundos (ou talvez os dois) é uma criação de Britten, isso revela o quão conflitante o cérebro dele se tornou após o acidente (ou incidente). Analítico, inteligente e complexo, o detetive parece querer vislumbrar todos os cenários possíveis como uma forma aparentemente desesperada de controlar o(s) universo(s) em que vive/sonha, já que quando perdeu o controle em apenas uma realidade, o resultado acabou se revelando impensável e inaceitável. Game Day terminou ainda mais interessante com a revelação de que, no mundo vermelho, a ex-namorada de Rex estava grávida, o que também acabou servindo como a âncora que prenderá o casal de luto em Los Angeles. Minha única preocupação com Awake é se a série terá a chance de apresentar um desfecho resolutório em vez de um cliffhanger, já que dificilmente este belo e interessante drama será renovado. Torço para que seus realizadores tenham a oportunidade de dar um desfecho à história.
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