Atualizado em 28 de maio
Saturday Night Live exibido aos domingos. Pois é, isso não faz o menor sentido, mas a direção da Rede TV! parece ter achado que essa seria uma piada genial quando confirmou a produção da versão nacional do famoso e veterano programa americano de esquetes cômicas e atrações musicais. Liderado pelo fraco Rafinha Bastos, o SNL Brasil seguirá, segundo a superintendente artística da RedeTV!, Monica Pimentel, o mesmo padrão em termos de cenografia e formato do original. Com estreia marcada para as 20:30 do próximo domingo, 27 de maio, o programa chega com a missão de ocupar o lugar do Pânico na TV (que foi para a Band) e provar que a ideia de adaptar o formato americano usando o contexto socioeconômico, político e cutural do Brasil pode render. Bastos, que nas palavras da superintendente artística do canal é sensacional porque tem mais de 4 milhões de seguidores no Twitter (parece que isso agora diz alguma coisa sobre o talento de alguém), será produtor executivo e um dos 10 comediantes fixos do SNL Brasil que promete ter sempre um apresentador convidado (o do primeiro será o próprio Bastos porque, aparentemente, ninguém aceitou o convite antes de ver como seria o programa) e uma atração musical que na estreia será a sumida Marina Lima. Pode dar certo? Pode, mas como é o Rafinha Bastos que está no comando, a chance desse SNL Brasil ser motivo de muita vergonha e frustração não é pequena. Veja a chamada do programa.
Em tempo, vale lembrar que o SNL original, que está na 37ª temporada, é exibido no Brasil pelo Sony no péssimo horário de 1 da manhã de domingo.
Nota de Bruno Carvalho
O grande problema da TV brasileira é que ela dá uma plataforma enorme para pessoas sem talento ou, como no caso específico de Rafinha Bastos, um “comediante” (com todas as aspas possíveis) que acha que fazer piada é sinônimo de insultar minorias. Bastos faz piadas racistas, preconceituosas, ofensivas e defende amigos que fazem o mesmo. Apenas para citar alguns exemplos (pois alguns defensores juram de pé junto que ele nunca faz nada de errado):

Os casos são muitos. Bastos é fomentador de um show chamado “Proibidão”, onde o espectador tem que assinar um “Termo de Isenção” na porta, atestando que não poderá processar o comediante, caso se sinta ofendido. Isso tudo para permitir que ele e sua turminha da anunciada “Nova Geração do Humor Brasileiro” possam chamar um negro de “macaco” (o caso foi parar na polícia, porque o ofendido em questão era um dos músicos da casa e não tinha assinado nada), fazer apologia ao estupro, e por aí vai. Não se trata de ser politicamente correto, porque talentosos humoristas como Louis C.K., Bill Maher, Eddie Izzard, por exemplo, já mostraram que é possível ser politicamente incorreto sem ofender, usando a intolerância e piadas controversas como forma de crítica social a estas repreensíveis condutas.
A própria Band caiu nesta armadilha e praticamente teve que mandar esse sujeito embora por conta de uma “piada” dita ao vivo que ofendeu quem não devia (ele se adiantou e pediu demissão). Mas este nem é o problema. No caso, ele está se explicando com a cantora na justiça. Não precisam censurá-lo (como foi feito com a proibição da venda do DVD dele), mas também não precisam dar a um sujeito que vive de fazer graça com insultos gratuitos espaço numa concessão de TV pública. Mas essas emissoras o fazem porque há quem aplaude tudo que este novo paladino do humor diz. Pior ainda é ver que o crime de racismo é tão tolerado assim pela sociedade, já que mesmo trazendo à discussão exemplos da canalhice e do racismo escancarado de Bastos, ele ainda assim é defendido cegamente por sua horda de fãs (e você inevitavelmente encontrará exemplos nos comentários abaixo). Triste.
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Atualização de 28 de maio por Davi Garcia: Tirando a boa abertura protagonizada por Renata Gaspar sacaneando a entrevista da Xuxa concedida ao Fantástico, foi difícil aguentar ver os quase 90 min da estreia do SNL Brasil. Sem qualquer ritmo, a versão nacional do programa sofreu com esquetes longas demais (vide a do pai corintiano, por exemplo) e que ou eram absolutamente sem graça ou acabavam perdendo o timing da ‘piada’ dada a extensão do quadro. Além disso, para quem chegou com status de grande nome da atração, Bastos pareceu nervoso e pouco à vontade nas entradas ao vivo pelo menos até o esquete do Weekend Update (este tirado do SNL original) quando não se furtou a zoar artistas da emissora, incluindo a própria esposa do vice presidente, Luciana Gimenez. Isso, contudo, não apaga a péssima impressão deixada pela quase totalidade do programa que, refém de péssimo textos, simplesmente não fez rir. Dá para melhorar? Óbvio que sim, até porque pra piorar, a turma comandada por Bastos teria que se esforçar muito. Dito isso, não acompanharei a evolução do programa porque uma noite de tortura com SNL Brasil é tudo que eu poderia suportar.





