Fringe: Brave New World, Part 1

[com spoilers do episódio 4x21] Por terem a função base de preparar um determinado cenário ou uma situação específica, episódios que antecedem finais de temporada geralmente tendem a ser mais burocráticos e a guardarem as grandes surpresas para o capítulo derradeiro. A parte 1 de Brave New World, o season finale de Fringe, contudo, ficou longe de ser assim e funcionou quase como um divertido (principalmente por conta das tiradas de Walter, claro) e surpreendente tira gosto que certamente não deixa nada a dever para o prato principal. 

Centrado no curioso caso de pessoas que entram em combustão instantânea provocada por quimeras nanobóticas (conforme nos explica Walter), o episódio não só trouxe reviravoltas interessantes (Olivia descobrindo dons novos como, por exemplo, de telecinese), como também confirmou uma suspeita que eu levantara ao final do comentário sobre Letters of Transit: a de que William Bell estava vivo e era, esse tempo todo, o homem por trás das ações de David Robert Jones que, aliás, teve uma ‘nova’ morte que rimou visualmente (o rosto sendo dividido ao meio) com aquela que vimos na 1ª temporada.

A grande questão que se coloca agora portanto – além daquelas que já estão em aberto, claro (os universos se fundirão? Olivia morrerá?) -, gira em torno das motivações que levariam William Bell a ressurgir agora como o grande vilão(?) da trama. Afinal, se a linha temporal reescrita representou, como destaquei aqui, mudanças comportamentais positivas em personagens que antes víamos como antagonistas, não deixa de ser surpreendente que um ‘mocinho’ mude de lado, certo?

Bom, seja lá como for, uma coisa é certa: com uma morte significativa (Jones), uma descoberta importante (de Olivia) e um retorno impactante (Bell), a parte 1 de Brave New World foi eficiente não só como peça introdutória para o end game da temporada, mas sobretudo como outro belo capítulo dentro da história de Fringe. E que venha o season finale!

Outras observações:

- Walter questionando Jessica (participação especial de Rebecca Mader, a Charlotte de LOST) se ela era uma alienígena participando de uma invasão e mais tarde ‘farejando’ algo que pudesse lhe dar um indício da passagem de William Bell por Saint Clair. Priceless!

- Os temores e receios que Olivia manifesta a Peter surgem em função das experiências de trabalho ou seriam mais motivados pelas palavras ditas por September no início da temporada? Aliás, como a Henrietta que vimos em 2036 se encaixará nessa história?

- Um ponto bem curioso foi levantado pela Fringepedia com relação ao título do season finale: Brave New World é um romance de 1931 sobre um futuro distópico no qual um pequeno grupo de pessoas comanda uma sociedade regida por um conceito básico: adeque-se ou morra, uma ideia que lembra muito aquele futuro controlado pelos observadores, não?

- Não sei vocês, mas já vejo ações de William Bell como elementos catalisadores daquele futuro. E se assim for, já até imagino a 5ª e última temporada da série tendo sua narrativa dividida entre os eventos do futuro e do presente. Será?

 

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