[com spoilers do episódio 4x22] Gostei, mas não amei. Foi exatamente essa a reação que tive depois da última cena do episódio que fechou o quarto ano de Fringe. Afinal, se a parte 1 de Brave New World indicava um cenário intrigante com o retorno de William Bell e a dúvida sobre sua motivação para provocar um colapso de universos que gerariam um 3º inteiramente novo, a parte 2 foi, salvo uma surpresa ou outra, muito anticlimática para uma temporada que criara um panorama tão interessante para personagens que tinham que se redescobrir. Dessa forma, ao mesmo tempo em que Letters of Transit nos deu um belo vislumbre do futuro da trama, ele também acabou antecipando, ainda que indiretamente, as grandes revelações e perguntas que um final de temporada deveria deixar.

No geral, o que me incomodou mesmo neste episódio (que, para ser justo, fechou satisfatoriamente o arco da história que esta temporada explorou) foi a sensação de já saber parte dos eventos que virão a seguir. Com isso, infelizmente não consegui me envolver emocionalmente com os personagens e com as ações que eles tomam em momentos que deveriam ser mais impactantes como, por exemplo, aquele em que Walter dá um tiro certeiro na cabeça de Olivia (em mais uma rima visual que a série estabelece, desta vez com o final da 3ª temporada). Assim, se aquela cena do bolinho de limão da parte 1 já nos dava indícios de que uma capacidade, digamos, Wolverínica pudesse ser despertada em Olivia, sua aparente morte e ressurreição acabou perdendo a força pois àquela altura já antecipávamos que isso ocorreria. Raciocínio semelhante, aliás, vale para a cena em que ela conta a Peter que está grávida ou mesmo para a última que mostra September dizendo que eles estavam vindo, duas referências diretas para o futuro que já nos foi apresentado.

Considerando tudo isso, parece razoável dizer que a demora da Fox em dizer se Fringe seria ou não renovada, acabou provocando um equívoco no planejamento do desfecho da temporada, visto que, em retrocesso, o já citado Letters of Transit não só teria funcionado bem melhor como um season finale como também não sabotaria as surpresas dos eventos que vimos nesta parte 2 de Brave New World. Nisso, apesar dos pesares, a mensagem que este capítulo nos deixa é no mínimo curiosa ao resumir parte dos eventos que vimos até aqui na série: tentando corrigir um desvio, as ações daqueles personagens sempre acabam provocando algo pior e maior. A tentativa de Walter em salvar a vida de Peter abriu um buraco entre dois universos; Com um deles sob ameaça, a tentativa de salvá-lo provoca um evento na máquina que reescreve a linha temporal despertando em William Bell o desejo de criar um outro universo que ele pudesse controlar. Ao falhar, ele atrai (conscientemente?) a atenção dos observadores que intervém levando o mundo para um futuro bem mais sombrio e, talvez por isso, mais intrigante para a história.

Outras observações:
- Foi divertido ver Peter questionando Olivia sobre seu recém descoberto ‘poder Jedi’. Pena, portanto, que os roteiristas da série tenham convenientemente (ou não) concluído esse arco da trama mostrando uma Olivia aparentemente sem poderes.
- Por falar em dons extraordinários… Bacaninha a cena do September interceptando balas e depois sendo surprendido por um dos tiros só para vermos a origem daquela cena dele com Olivia no início da temporada e para descobrirmos uma nova dúvida se formando: se os observadores enxergam o futuro, por que ele não previu aquela situação toda?
- E que tal aquela cena bizarra no laboratório em que Peter e Olivia, com a ajuda da tecnologia trazida por Nina Sharp, interrogam a então falecida e desorientada Jessica Holt, hein? Depois da Charlotte de LOST, foi curioso ver Rebecca Madder fazendo mais uma cena em que sua personagem aparece confusa pouco antes de morrer de vez.
- Ao perceber que seu plano sofrera um revés, William Bell some ao tocar um sino (bell em inglês), mas para onde ele foi? Palpites?
- Em termos práticos, o que a promoção do Broyles e o aumento do investimento financeiro no trabalho feito pela divisão Fringe poderia representar para a trama em si? A chance deles tentarem usar a máquina para reestabelecer a ponte com o outro universo, talvez?
- Por último, reforço a ideia que levantei no post do episódio anterior: a temporada final da série deve ser dividida entre o presente dos personagens (dos dois universos) e o futuro de Letters of Transit culminando, espero eu, num desfecho que responda efetivamente as perguntas mais fundamentais da série em torno dos observadores e principalmente do papel que Olivia ainda desempenhará.
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