Game of Thrones: A Man Without Honor

[com spoilers do episódio 2x07] Um homem sem honra. O título deste sétimo episódio do 2º ano de Game of Thrones poderia ser relacionado, conforme vimos em frentes distintas, a pelo menos três personagens: Theon Greyjoy (em Winterfell), Xaro Xhoan Daxos (em Qarth) e Jaime Lannister (no front de Robb Stark). E se Westeros está em guerra, é nela que os tais homens sem honra encontram terreno fértil para externarem o que tem de pior na ânsia de estabelecer uma posição de tirania, de tomar o poder de um lugar ou pelo simples prazer de ver o circo pegar fogo.

Considerando esse panorama, o episódio traça um retrato interessante sobre as ações dos homens e mulheres que se dividem pelos sete reinos (e além deles, como nos mostraram as boas cenas de Jon Snow com a provocadora Ygritte) e lida, sob diferentes perspectivas, com os medos e, por que não dizer, as angústias e dúvidas que surgem em função de eventos isolados (caso do conflito despertado por Jaime Lannister e de sua insistência em desafiar Catelyn Stark) e também daqueles que estão diretamente ligados à guerra que se aproxima e se agiganta nos arredores de King’s Landing.

Assim, enquanto Cersei demonstra uma aparente sinceridade (ou é mais sensato pensar que era só mais uma manobra manipuladora?) e uma fragilidade que nunca havíamos visto antes nas cenas que divide com Sansa e depois com Tyrion, que a alerta sobre as decisões equivocadas de Joffrey; em Qarth, Daenerys descobre-se defensiva frente a aproximação de Sir Jorah (“Confie em mim”, diz ele) e testemunha uma ação rebelde do ainda misterioso Xaro Xhoan Daxos, que se revela responsável pelo breve sequestro dos dragões num plano elaborado para tomar o controle da cidade fortaleza e, claro, tentar ganhar a confiança da última Targaryen viva.

Por falar em Targaryen, não dá para deixar de mencionar a bela sequência que Arya divide com Tywin Lannister (que vem ganhando certa profundidada graças ao eficiente trabalho de Charles Dance, diga-se) quando, mais uma vez, deixa escapar indícios sobre sua origem, ao demonstrar conhecimento histórico sobre o passado de Westeros na época em que seus antigos reis ainda dominavam tudo com a ajuda de dragões, criaturas que foram responsáveis, como nos conta Tywin, pela ruína de Harrenhal.

Agora, de tudo que este episódio nos trouxe, impossível não destacar o gosto amargo que as ações de Theon deixam a cada nova tentativa odiosa que ele faz para ser visto como um homem duro e implacável perante seus homens e aqueles com quem um dia dividiu conversas e brincadeiras em Winterfell. Dessa forma, quando ele diz que “É melhor ser cruel do que fraco” frente os apelos de Luwin, ele não só reflete, ainda que indiretamente, a mesma postura de Joffrey, como abraça um lado sombrio novo ao mostrar o que seriam os corpos carbonizados de Bran e Rickon Stark. Homem sem honra? Theon sabe bem o que é ser um.

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