[com spoilers do episódio 5x03] “Ele cuida dos negócios. Eu cuido dele.” | “Só porque você atirou em Jesse James, não significa que você seja Jesse James.” Se no episódio anterior de Breaking Bad vimos a série reforçando a importância de um coadjuvante como Mike para a trama (e como parte fundamental do esforço de Walt para voltar a ‘cozinhar’, claro), neste “Hazard Pay”, o competente roteiro de Peter Gould (que dentre outros, escreveu o excelente “Salud”) destacou duas coisas que me parecem fundamentais neste início de temporada: (1) o conflito que pode sabotar a relação de negócios re-estabelecida e (2) a impressionante capacidade de Walt de planejar e pensar a melhor forma para dar prosseguimento – de um jeito relativamente discreto (em verde e amarelo) -, à sua tão particular atividade que é retomada num balé de imagens e sons que extraiu beleza estética a partir do renascimento de um produto tão sujo e devastador.

Nesse contexto, enquanto Walt, cada vez mais arrogante e confiante, não hesita em tentar se impor como o chefão da operação ao questionar os métodos e principalmente a matémática de Mike, Jesse é o mesmo cara que inicialmente surge como a voz apaziguadora e que abre mão de um lucro maior em troca da segurança e da possibilidade de evitar riscos com uma operação mais simples, mas que no fim do dia parece começar a perceber que o tom de voz baixo e a aparente calma de seu parceiro escondem um tom terrivelmente ameaçador. O mesmo tom, aliás, que fez a acuada e emocionalmente consumida Skyler explodir na frente de Marie num evento que poderia levantar uma atenção perigosa, mas que acaba rapidamente controlado pelo manipulador Walt, o Scarface de Albuquerque que numa frase (“Todo mundo morre nesse filme.”) parece resumir o inevitável destino dos personagens de Breaking Bad que se ainda não enxergam a morte física como uma possibilidade, tampouco se afastam da ideia de ter que encarar a morte moral representada por seus atos e escolhas. Que série!
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