
[com spoilers do episódio 5x01] Parte I, por Davi Garcia: Trazendo reminiscências no mínimo curiosas em termos narrativos da própria série (o uso do flash forward na sequência de abertura que remete à 2ª temporada) e até de Fringe, por que, não?, (através do elemento levemente sci fi explorado no plano executado por Walt em determinado momento), “Live Free or Die”, episódio que marca o início do fim de Breaking Bad, foi um belíssimo cartão de visitas para o que promete ser uma despedida cheia de choques e surpresas do melhor drama da atualidade.

Se do flash forward que abre o episódio pouca informação nos foi dada (além, é claro, do fato de Walt aparecer tossindo e tomando remédios no que pode ou não remeter ao retorno de seu câncer), pelo menos já dá para incutir que algo de muito grave parece aguardar o cara que destronou Gus Fring e que surge extremamente consumido por seu ego e pela arrogância (quando, orgulhoso, garante a Mike e Jesse que a polícia não conseguiria relacioná-los ao engenhoso ‘ataque’ perpretado à sala de evidências) e bastante ameaçador em outros momentos como na cena que divide com Saul Goodman (“Só acaba quando eu disser que acabou!”) e principalmente na que fecha o episódio quando abraça a assustada Skyler.
Tecnicamente perfeito quer seja pelos planos elaborados; pela fotografia que ‘brinca’ com paletas distintas para exprimir uma sensação de urgência, de tensão e opressão; ou mesmo pelas cores dos figurinos que refletem a obscuridade de seus personagens (reparem como Walt agora aparece quase sempre com roupas mais escuras que depois também são usadas por Skyler na cena em que ela visita Ted Beneke), Breaking Bad voltou mostrando que a jornada daqueles fascinantes personagens e principalmente do professor de química outrora loser que se transforma no rei da metanfetamina capaz de impor respeito e medo continua espetacular.

Parte II, por Bruno Carvalho O retorno de Breaking Bad marcou a consagração de Bryan Cranston no papel de sua vida. Praticante do method acting, note como, por exemplo, ele exprime um certo desprezo ao ouvir da boca de seu filho que seu tio Hank é um heroi, pois é orgulhoso o suficiente para desejar, ainda que em mera fantasia, que fosse reconhecido pela sua conquista. Diametralmente oposta é a sua composição no futuro não tão distante em que vemos Walt aparentemente abatido, desgastado e prestes a tomar mais uma de suas medidas desesperadas. E se o final da 2ª temporada deixou um gosto amargo naqueles que não esperavam o desfecho com a queda do avião, aqui Breaking Bad claramente visa se redimir daquele arco, prometendo algo que pode muito bem entregar. É incrível, ainda, a dinâmica estabelecida entre os contraventores Walt, Jesse e Mike que denota uma certa cumplicidade, ainda que momentânea e necessária, entre eles.
E os instintos destrutivos de Walter que já mencionei em textos anteriores estavam aqui presentes mais uma vez, na cena em que ele decide ir além da conta com o imã gigante e acaba deixando uma pista para trás. É como se ele inconscientemente queira ser pego para que ganhe a notoriedade que tanto busca da própria família, em especial de Skyler. Esta, aliás, entra neste 5º ano com uma carga dramática ainda mais forte, graças ao surpreendente acontecimento com Ted Beneke, que havíamos presumido estar morto deste a temporada passada. Live Free or Die conseguiu, ainda, equilibrar muito bem todo o clima pesado que tomou conta da série com momentos de alívio cômico graças a Jesse (e ao fantástico trabalho de Aaron Paul). Temos todos os elementos para termos uma excelente primeira parte desta última temporada pela frente. Magnets, bitches!
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