The Newsroom: I’ll Try to Fix You

[com spoilers do episódio 1x04] Desde sua estreia, The Newsroom vem recebendo diversas críticas negativas da imprensa americana. I’ll Try to Fix You, o episódio do último domingo, foi considerado por muitos o pior da série e eu continuo sem entender o porquê. Embora ainda apresente pontuais defeitos e seja inferior às obras anteriores de Aaron Sorkin, a série da HBO consegue ter alguns dos melhores diálogos da televisão. E o capítulo ressaltou bem isso, além de mesclar perfeitamente cenas cômicas com cenas emocionantes. Interessante como alguns personagens já estão acertando o tom e tendo desenvolvimento, caso de  Don durante esse episódio, que ganha camadas interessantes. Algumas coisas ainda não conseguiram ganhar naturalidade, como a personagem de Emily Mortimer, o grande erro no elenco da série (seria possível mandar ela para Mandyland?). Ainda assim, acredito que Sorkin esteja tentando humanizar a personagem, para não cair no mesmo erro que enfrentou em Studio 60, onde todos eram acusados de serem excessivamente arrogantes. Nesse caso, acaba pecando pelo outro lado, deixando Mackenzie caricata demais.

E se o relacionamento entre ela e Will ainda não agrada os fãs, Jim e Maggie conseguem cativar pela fofura. Continuando com seu discurso político – afinal, uma série sem isso não seria do Aaron Sorkin -, The Newsroom consegue ser sincera e ao mesmo tempo ingênua em vários aspectos. Com críticas ferozes ao jornalismo americano, não poupa nem o segmento especializado em cobrir celebridades, dessa vez caracterizado com o TMI (sigla para ‘too much information‘), referência ao popularesco TMZ. Mas, ao mesmo tempo que cutuca uma grande ferida, parece demonstrar no fundo uma crença de que isso poderia ser melhor, criando personagens idealizadores e heróis. Sem a necessidade de soar realista, esses personagens insistem em um discurso em que os ideais são respeitados e sustentados, independente do que está em jogo. Não é à toa que a série é tão criticada, afinal, esse tipo de abordagem não é tão comum na televisão. Mas a beleza do diálogo de Sorkin também está aí: utilizando elementos aparentemente prosaicos, constrói uma narrativa envolvente, com tantos argumentos que fica impossível até para quem não se importa com isso, de querer sair por aí caminhando e conversando. E a execução funciona tão bem porque o roteirista realmente acredita na bandeira que levanta, tornando as histórias verdadeiramente emocionantes.

E como não emocionar, com a tensa sequencia final ao som da batida Fix You, do Coldplay? The Newsroom pode não ter o glamour de The West Wing, nem o elenco carismático de Studio 60, mas continua sendo, para mim, a melhor estreia do ano.

Tags:

Comente no Facebook