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Crítica: True Blood [Series Finale]

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[com spoilers do final da série] De uma coisa os roteiristas de True Blood não podem ser acusados: falta de coerência. Afinal, entregaram um final medíocre, que se alinha perfeitamente com o que nos vinha sendo apresentado nas últimas temporadas. Preguiçoso, para dizer o mínimo, este Series Finale foi completamente focado na indecisão de Sookie em aceitar o pedido que feito por Bill que, contaminado pelo Hep-V, decidiu morrer e ajudar a irmã de Jason a se livrar de seus poderes de fada.

O problema é que o dilema vivido por Sookie está longe de ser algo que mereça ocupar a maior parte do episódio final de qualquer série, mesmo que o roteiro para essa situação fosse bem desenvolvido, coisa que passou longe aqui. Em vez disso, vimos Sookie perambular pelos mais variados recintos da cidade, com a expressão de dúvida que paira sobre a cabeça de alguém que quer se decidir entre a compra de um tapete ou um carpete para sua sala de estar, e não sobre se deve ou não MATAR o homem por quem se diz apaixonada. Além disso, o roteiro é tão trôpego que a leva a pedir conselhos a Jason (que se mostra sensato em sua perplexidade ante a confissão da irmã) apenas para um minuto depois aceitar um convite para ser madrinha de casamento de Jessica, algo como “tudo bem, mas o casamento deve ser cedo, tenho que matar Bill às 7h”.

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A propósito, o fechamento dos arcos dos outros personagens se assemelhava muito ao último capítulo de uma novela qualquer: o casamento de Hoyt e Jessica e a família feliz formada por Jason e Brigitte são fatos que destoam completamente da proposta inicial da série, mas vamos evitar enveredar por esse caminho, que já foi discutido vezes sem conta.

O único gancho que ainda prendeu o espectador para esse final teve uma resolução bem aquém do esperado. Depois de todo o pânico que causaram, Gus e seus comparsas foram aniquilados com tanta facilidade por Eric e Pam que chega a ser surpreendente que eles já não o tivessem feito. Por outro lado, ver os dois encerrando suas histórias como dois grandes empresários foi o ponto alto do episódio (apesar do roteiro pobre, que procura explicar pausadamente grande parte das coisas que já sabíamos a respeito de Sarah). Também é interessante notar como, mesmo assim, os dois não deixam de gerenciar o Fangtasia, onde os vimos pela primeira vez.

Outra personagem que ficou devendo nesta temporada foi Arlene, constantemente subaproveitada pelo roteiro (pelo menos a atriz já pode riscar esse compromisso de sua agenda e, quem sabe, fazer mais participações em The Good Wife). Do mesmo modo, a relação de ódio e respeito entre Bill e Andy merecia um pouco mais de cenas como a que vimos na ocasião do último pedido do vampiro para o xerife (e é curioso notar como, em retrospecto, Andy passou de babaca e chacota da cidade nas temporadas iniciais para alguém cuja autoridade não é contestada, sendo talvez o único personagem que melhorou com o passar do tempo na série).

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Exibindo um resquício da coragem que apresentou outrora, a série resolveu sacrificar seu protagonista pelas mãos da própria Sookie, que aceitou o pedido de Bill para aniquila-lo. No entanto, é muito pouco perto de tudo o que ela já representou um dia, e é uma pena que a catarse de tudo o que True Blood nos havia mostrado até então tenham sido 54 minutos de casamentos, nascimentos, abraços felizes, vilões pagando pelos seus pecados, jantares entre amigos e crianças correndo pelo campo; tanto mel num único episódio que quem for diabético deveria assistir com uma injeção de insulina ao lado. De relevante em sua proposta, True Blood encerrou-se tardiamente, ofegante e desinteressante, muitos anos após o seu ápice nas primeiras temporadas.

1star

Luiz Paulo
é autor convidado do Ligado em Série.
http://twitter.com/lpoficial_

Postado em: 25/08/2014 | 11:30

  • X1301120415

    A série foi boa no início e só razoável do meio pra lá, mas a última temporada foi fraca. triste demais deixou o drama ficar muito exagerado e acabou parecendo novela mexicana.Não gostei do final. spoiler! acho que deviam ter aproveitado a mistura diferente de hepatite v e sangue de fada da Sookie matar o Bill vampiro e ele ressuscitar como humano pra ficar junto com o grande amor dele.