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Crítica | Deadpool, o filme de heroi que estávamos precisando

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Convenhamos: há alguns anos que a pasteurização dos filmes de herois criaram exemplares que, ainda que bons, serviam apenas para cumprir a cartilha e expandir o universo financeiro que seus realizadores – sejam da Marvel ou DC – estabeleceram como meta para inflar o trimestre fiscal de estúdios e produtoras. Nesse sentido, Deapool, ainda que parcialmente cumpra estes mesmos objetivos, o faz de uma maneira única que destoa das regras e convenções de um gênero saturado e desgastado.

Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um mercenário extremamente falastrão que descobre estar com um câncer terminal justo agora que encontrou o amor de sua vida, a bela Vanessa (Morena Baccarin). Desesperado pela doença, ele aceita um tratamento extremamente doloroso que acaba tornando-o um mutante artificial com capacidades regenerativas. Decidido a vingar-se de seus recém-criadores, que queriam transformá-lo num soldado invencível, ele passa boa parte do tempo perseguindo todos os envolvidos no processo, em especial o chefão Ajax (Ed Skrein).

Sim, Deadpool é um filme de origem, mas ao contrário de Homem-Aranha, Homem de Ferro ou Thor, por exemplo, aqui sua história é contada em uma narrativa não-cronológica, repleta de flashbacksflashforwards e, é claro, a quebra constante da quarta parede. Aliás, este é um filme tão autoconsciente que traz logo em seus créditos iniciais uma descrição completa do que veremos a seguir e das próprias motivações do estúdio com o longa. Com isso, Deadpool não apenas foge do convencional, como usa a sua estrutura quebrada para criar momentos dramáticos intensos (a descoberta do câncer e a separação do casal) no meio da projeção e não em seu início, beneficiando-se da decisão do competente diretor Tim Miller.

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Assim, ainda que trazendo o ápice da “zoeira sem limites”, os dilemas de seu anti-heroi são mais profundos e verdadeiros do que os de todos os Vingadores ou X-Men combinados. E já que falei desses últimos, Deadpool está necessariamente no universo dos mutantes, e isso rende algumas das melhores piadas do filme: aquelas envolvendo os atores que interpretam Charles e Magneto e as constantes tiradas no estúdio, no “certinho” Colossus, incluindo uma sobre a “versão” absurda que o heroi interpretou no fraco X-Men Origins: Wolverine.

Mas se tem alguém que rouba praticamente todos os frames é Ryan Reynolds, talentoso ator com um timing cômico invejável que encarna o mercenário tagarela com energia e vigor, fazendo com que o personagem funcione em todos os momentos: das interações com seus pares, em especial a x-girl Negasonic Teenager Warhead (Brianna Hildebrand) e o amigo Weasel (T.J. Miller), até o momento em que realiza uma referência nada sutil a seu próprio intérprete. Investidor, entusiasta e produtor, Reynolds encontra aqui o papel de sua vida, num dos casamentos entre “criador e criatura” mais simbióticos desde Charlie Sheen e Charlie Harper e, por que não, Robert Downey Jr. e Tony Stark.

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É uma pena, contudo, que o terceiro ato do longa empalideça diante dos dois primeiros, fazendo com que toda a bagunça metalinguística que funcionou muito bem até então seja substituída por um embate genérico entre mocinhos e vilões que justamente remete ao dos filmes de heroi que até então eram zoados por este. Deadpool poderia ter sido mais ousado e até brincado com os colegas contratados da “matriz” Disney? Sim, poderia, mas para a primeira iteração do personagem (eles mesmo sugerem que será uma franquia), já está de muito bom tamanho.

Deadpool, com isso, se aproxima de Guardiões da Galáxia, seja pelo quesito humor quanto pelo quesito de inovação no gênero, algo que todos nós estávamos precisando ver nas telas, ainda mais nos meses que precederão os sombrios embates dos gigantes Batman v SupermanHomem de FerroCapitão America. É intenso, hilário e subversivo, com direito ainda à melhor cena pós-créditos de todos os exemplares até o momento. Deadpool é de sair do cinema com um belo sorriso no rosto. É foda.4stars

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: [email protected]
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Categorias: Cinema, Críticas, Deadpool

Postado em: 07/02/2016 | 16:43

  • Michael Bryant

    PORRA TO LOUCO PRA VER ESSE FILME

  • David Rocha

    Critica honesta, não a fanboyzice do omelete.

  • Néscio Ignaro

    Ótimo filme, não vão se arrepender de ver

  • Michonne

    muito bom! verei novamente no cinema

  • Luiz Felipe Matos

    Ótimo filme, não me arrependi de forma alguma, valeu meu ingresso… ‘-‘
    ~Mas~ achei hypado demais. Faltou uns por cento para superar minhas expectativas.

    E que diabos de VFX terrível do Colossus e-e’

  • Heleno Junior

    Está longe de ser um dos melhores filmes desse gênero.Não passa de uma típica produção da Marvel com cenas ação,humor e uma explosão aqui e ali.As cenas de ação em slow motion irritam,os vilões são pessimamente desenvolvidos,os coadjuvantes dos X-Men são dispensáveis,os diálogos se limitam a um palavrão a cada meia frase disparada pelo personagem central.A ação aliás,praticamente as principais cenas foram apresentadas nos trailers.Bem pouco para os méritos que os críticos acreditam que o filme possui.