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Crítica | Desventuras em Série

Na próxima semana chega à Netflix a primeira grande série da gigante do streaming de 2017: Desventuras em Série. Sem ter assistido ao filme homônimo com Jim Carrey e sem saber muito sobre a história, conferi os quatro primeiros episódios como prévia e adianto que gostei bastante do que vi.

Os três irmãos Baudelaire vivem felizes com seus pais até que uma sequência de eventos desagradáveis acontece e os deixa órfãos. Daí em diante eles são obrigados a viver sob a tutela do mal intencionado Conde Olaf (Neil Patrick Harris, excelente), um ator fracassado que quer fazer de tudo para colocar as mãos na fortuna herdada pelos moleques.

A produção é impecável em seus aspectos técnicos: ambientada em uma cidade completamente lúdica, cada milímetro da tela parece ser meticulosamente pensado pela direção de arte para evidenciar que estamos assistindo à um livro falado, com direito a seu próprio narrador – Lemony Snicket (o talentoso Patrick Warburton). Este, por sua vez, é o pseudônimo de Daniel Handler, verdadeiro autor da série de livros que inspirou a produção. Figurinos, cabelo, iluminação: tudo está ali para retratar uma versão irreal de fatos absurdos, como se estivéssemos assistindo a um livro animado, mas só que com atores de verdade.

Estou curioso, contudo, para ver como será a recepção de certas situações envolvendo as crianças e que, como um não iniciado nos livros, me deixou questionando se não era melhor adaptá-las de outra forma para a TV (as que envolvem certa violência e, em especial, toda a trama da peça teatral no segundo capítulo). Mas Desventuras em Série tem um quê sombrio que funciona na maior parte do tempo devido às características acima mencionadas de seu design de produção, que volta e meia reforça que aquilo não é real.

A narrativa é intrincada e cheia de vai-e-véns, interseções, interrupções e excelentes jogos de palavras com um rebuscado vocabulário. O ponto alto, contudo, é a sua patente metalinguagem, que diverte à todo tempo e que não poupa chicoteadas ao próprio meio em que é exibida: “O teatro é algo muito mais nobre que, digamos… a televisão por streaming” (diz Conde Olaf em determinado momento), mostrando que o show jamais se leva à sério.

Trazendo boas reviravoltas, interpretações inspiradas de todo o elenco (Joan Cusack brilha também)  e dois castings absolutamente fenomenais pelo que representa fora das telas (e o qual evitarei comentar para não estragar a surpresa), Desventuras em Série é garantia de diversão de qualidade para pequenos e grandinhos nessas férias e mais um belo acerto da Netflix.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: [email protected]
http://twitter.com/ligadoemserie

Postado em: 06/01/2017 | 20:53

  • Robson Loureiro

    Ta com uns erros de grafia que vale a pena arrumar. No mais, muito obrigado pelo texto. Ajudou na minha ansiedade por ver essa série.

  • Em “certas situações envolvendo as crianças” só me lembrou um acontecimento que deve estar nos dois últimos episódios da temporada em que… uma certa bebê luta esgrima com seus dentes.

    Isso, espero que não tenham removido isso da série.

  • vinland

    A atriz que escolheram pra fazer a irma mais velha se parece muito com a Emily Browning quando foi escolhida pra interpretar esse mesmo papel.

  • Poderia indicar onde, por gentileza?

  • Robson Loureiro

    “…estamos assistindo à um livre falado…”

    “…O ponto algo, contudo, é a sua patente…”

  • Corrigido, o corretor não pegou.

  • Luiz Felipe Matos

    Ops. Parece que removeram :/

  • Verdade :/

    Mudaram várias coisas em Serraria Baixo-Astral, mas foi bom mesmo assim.

  • Manu barros

    Amei a série,o problema que já assisti tudo;não vejo a hora de assistir as próximas temporadas.