Séries:

Crítica | Bates Motel retorna imerso na psicose de Norman

Norman Bates morreu com Norma. Se antes o perturbado garoto tinha flashes de insanidade, ele agora está consumido por um híbrido entre seu pré-consciente e seu inconsciente, representado pela autoritária figura da Mãe. Seu livre arbítrio foi completamente dominado pela supressão do superego. Norman/Norma são apenas um agora.

Eu adoro últimas temporadas que são cientes desse fato, pois permitem o desenvolvimento da trama de forma irrestrita e da maneira como o realizador quer. Assim, a releitura de Psicose por Carlton Cuse (LOST) não começa com os eventos do filme de Alfred Hitchock que inspiraram essa produção. Em vez disso, ele cuidadosamente planta as sementes que irá colher no decorrer da temporada que estreou ontem nos EUA (no Brasil, sabe-se lá quando o Universal Channel vai exibir).

Preso num pesadelo sem fim, o garoto segue parcialmente funcional e instintivo como gerente da pousada que hoje, após o desvio da estrada, virou um refúgio de pessoas que não querem ser encontradas. Enquanto isso, Dillon e Emma vivem longe dessa loucura, ao passo que o Xerife Romero, preso, tenta descobrir o que está acontecendo através de um preposto.

Destaque absoluto, aqui, para atuação de Vera Farmiga como a projeção da Mãe dentro da psique de seu filho. Apesar de Freddie Highmore ser sempre excelente no papel, é Norma Bates que brilha justamente por compor uma personalidade que está sempre no limite entre a estabilidade de uma mãe carinhosa e a loucura de uma mãe possessiva, com o cuidado de interpretar a personagem um grau acima do que ela era quando viva, mas a ponto que seus momentos de insanidade (que na verdade são de Norman) jamais caiam para o lado do overacting.

Bates Motel foi imensamente privilegiada pelo fato de ser planejada para durar o quanto vai durar, o que permitirá grandes episódios como esse que abriu seu derradeiro ano.

Que venha Marion Crane.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
http://twitter.com/ligadoemserie

Categorias: Bates Motel, Críticas

Postado em: 21/02/2017 | 14:10

  • Guilherme Henrique

    Sempre fui meio frustrado com essa serie. Desde do começo a gente esperava por esse momento e agora que chegou vê como foi torturante pra estar aqui. Tramas desnecessárias, personagens chatos e a tal cidade dá maconha umas das coisas mais bestas que já vi em série, podiam ter criado qualquer outra trama que seria mais crível.

  • Ze

    Essas coisas ficaram na segunda temporada.. a terceira e quarta se redimiram, e essa ultima promete fechar com chave de ouro!

  • Leonardo Damaso

    realmente 1 2 3T mt filé
    recomendo fortemente um mix e focar na 4ºT em diante