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A Psicose chegou em Bates Motel

Vestido de policial rodoviário, o cocriador e showrunner Carlton Cuse pessoalmente nos entregou de presente a Marion Crane de Rihanna a caminho do Bates Motel. Enquanto isso, o roteiro de Kerry Ehrin amarrou todas as pontas possíveis para que a série entrasse com tudo em sua reta final. Sim, Psicose chegou muito, mas muito bem a Bates Motel. A série vem fazendo diversas referências ao clássico de Alfred Hitchcock ao mesmo tempo em que expande a história do longa de 1960 de forma inventiva e coerente.

Enquanto a projeção de Norma se afasta do espectro, um consternado Norman Bates começa a tomar ciência do que é, do que fez e do que faz. Intitulado Dreams Die First, o capítulo colocou praticamente todos os personagens em rota de colisão e surpreendeu ao já ter estabelecido Marion no motel no começo da temporada. Além disso, o texto sabiamente ampliou todo o caso até Norman de forma simples e inteligente, através da personagem Madeleine (o que foi uma jogada genial).

Mas o ponto alto desse episódio foi testemunhar, junto com o atual e único proprietário do Motel que carrega o nome da família, que Norma (ou o que sobrou dela dentro da perturbada mente do filho) ainda tem cartas na manga, com suas visitas digamos, animadas, a um bar da cidade. Tal subtrama podia não caber no filme original por questões de tempo ou por restrições temáticas de sua época, mas aqui soou orgânica e coesa não apenas com a série, mas também com o que a personagem faria. A cara de Norman ao descobrir o que ele, ou melhor, sua mãe fazia nas noitadas foi impagável.

A temporada final de Bates Motel prova que nem todos os reboots são dispensáveis, desde que bem feitos, no tempo certo e com as motivações corretas. Carlton Cuse é um grande fã da obra original e a série jamais tenta apagá-la. Pelo contrário, faz uma grande homenagem. É certo que o caminho até aqui teve seus momentos de turbulência, mas se o drama servir para fazer com que mais pessoas conheçam o filme quase 60 anos depois e invistam nesta história, já terá valido a pena.

A partir desse excelente episódio, tenho certeza que Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano conseguirão entregar um final à altura do lendário clássico do Mestre do Suspense.

Bates Motel é exibida no Brasil pelo Universal Channel. A 5ª e última temporada estreará em julho.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
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Categorias: Bates Motel, Críticas

Postado em: 22/03/2017 | 1:07

  • Allison Noronha

    Só não chega no ridículo canal Universal, o mais atrasado da tv a cabo empatado com o Sony!!!

  • Robson

    Eu quase abandonei a série na 3ª temporada. Mas por sorte resisti. E o que apresentaram na 4ª e agora nessa ultima, fez valer a pena o esforço inicial.

  • MSylvia

    Adoro a série e o trabalho de Freddie é excepcional. Se ele não for sequer lembrado nas indicações este ano vai ser uma injustiça sem tamanho. Só não gostei da escolha de Rihanna para o personagem de Marion. Ela é fraquíssima como atriz e não passa nenhuma emoção. Espero que melhore um pouco, pelo menos, daqui para frente. Ansiosa pela recriação da clássica cena do chuveiro.

  • Leonardo Damaso

    q bom não cagaram com add de 4 personagens novos
    foi uma peregrinação as T. anteriores
    mesmo assim Eu >> na cena do casal traíra to cheio de filé