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Abigail Spencer fala ao Ligado sobre a última temporada de Rectify!

Colaborou Ana Bandeira.

Hoje às 22h o canal Sundance TV, exclusivo da operadora SKY, estreia no Brasil a quarta e última temporada da cultuada série Rectify.  Condenado pelo assassinato de sua namorada quando jovem, Daniel Holden (Aden Young) passa 19 anos no corredor da morte até que novas evidências reabrem o caso e, com a possibilidade de ser inocente, é libertado e tenta se adaptar a uma vida fora da prisão com a ajuda de sua irmã Amantha (Spencer).

A atriz conversou esta semana comigo sobre a despedida da série e sobre o que poderemos esperar. Veja como foi o papo:

O que vamos esperar dessa última temporada, sem spoilers?

Olha, vocês vão conhecer gente nova, novos personagens. Vamos seguir na jornada de Daniel em busca de recuperação e lidando com sua vida agora que ele foi para Nashville e vamos continuar a seguir a vida dos outros personagens desde o ponto em que paramos na temporada passada, talvez um pouco mais. Amantha vai seguir um caminho de aceitação nessa temporada, sem Daniel e sem John.

Como foi interpretar uma personagem que ora sente e demonstra muita raiva e ora esconde seus sentimentos?

Olha, eu interpretei Amantha com muito cuidado. Foi uma conversa constante com Ray [McKinnon, criador da série] sobre quando me soltar e quando segurar as emoções, da mesma forma que qualquer um naquela situação faria. Faz parte da construção da personagem saber a hora de deixar as pessoas serem quem elas são sem intrometer muito. Acho que essa é invariavelmente a jornada de todos os personagens na série, como deixar pra lá, como se soltar de amarras…

Apesar de existir um crime ao redor do qual Rectify é construída, a série nunca teve seu foco exatamente na resolução do crime, e sim na readaptação de Daniel a uma vida fora da prisão, assim como os impactos disso na família. Como você vê criativamente essa decisão de Ray McKinnon de deixar o crime em segundo plano ?

Essa é uma pergunta muito boa e eu penso muito nisso. Temos toda essa onda de séries e minisséries investigativas, como Making a MurdererThe Jinx, que focam no caso, mas Rectify é completamente inovadora nesse sentido por focar justamente nesse aspecto que você mencionou. Acho que Ray queria focar no aspecto emocional e humano da história. Rectify é a experiência emocional de tudo isso, quando os detalhes e os pormenores do caso não importam mais. É difícil lembrar as cores, o que você comeu etc. quando você passou por algo assim, mas você lembra sempre do que sentiu. Rectify é sobre isso.

Será que vamos ter uma resolução ou a série vai deixar isso no ar?

Ah, acho que os dois, viu? O final da série vai ser satisfatoriamente insatisfatório [risos]! Digo isso porque Rectify sempre foi assim, mas também a vida é assim. Nunca teremos a resolução perfeita, algumas coisas acabam em definitivo e outras não, então a série emula isso. Os personagens precisam seguir vivendo quando a série acabar…

Você acha que Amantha encontrou o que estava procurando? Mesmo que seja algo interior, como uma paz de espírito?

Eu acho que a quarta temporada mostrará esse processo. Ela vai começar a achar, porque em Rectify é assim, né? Ela vai voltar pra casa e lidar com tudo que ela sempre odiou. Isso faz parte da aceitação e ela precisa resolver algumas pontas soltas para poder finalmente começar a encontrar a sua paz. Ela é uma moça muito corajosa, então eu acho que a vida dela vai começar a ficar menos triste e, quem sabe essa é a sua chance agora!

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
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Categorias: Entrevistas, Rectify

Postado em: 21/03/2017 | 20:00

  • Fábio G. A.

    Muito legal! Apesar de Rectify ser uma obra maravilhosa por si só, 90% do que me cativou na série foi justamente a interpretação da Abigail. Gostei bastante da última temporada e acredito que ela tenha feito um bom trabalho descrevendo como as coisas terminam (sem revelar demais). Metade de mim gostaria que o seriado tivesse alcançado a popularidade que merecia, mas a outra parte fica feliz que eles tenham se mantido fiéis à proposta, sem pressão dos fãs ou da mídia…