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Crítica | Love retorna amadurecida na 2ª temporada

De todas as séries de Judd Apatow (produtor de GirlsCrashing, inclusive), Love é a produção que mais gosto. Não tão experimental como a comédia de Lena Dunham e nem tão escrachada como a de Pete Holmes, esta série da Netflix traz, através da trajetória linear do casal Gus (Paul Rust) e Mickey (Gillian Jacobs), diversos e interessantes ensaios sobre comportamentos.

A dramédia retoma do exato ponto em que a primeira temporada deixou, com Mickey pedindo um tempo de um ano para Gus, já que ela se declara viciada em amor e sexo. Mas é claro que os dois acabam se aproximando e dando um passo adiante, mas, claro, com muita turbulência no caminho.

Sem grandes saltos temporais, o segundo ano nos lembra que o casal ainda está em estágios iniciais do namoro e se conhecendo. Nesta segunda fase, porém, temos os primeiros grandes choques, que o roteiro trata com bastante sutileza e apresenta cuidadosamente situações que vai desenvolver ao longo da temporada. Assim, enquanto Mickey lida também com seu vício em álcool e drogas, avançando no programa dos Alcoólicos Anônimos, o aparentemente “perfeitinho” Gus – sempre condescendente e levemente arrogante – tem também suas próprias inseguranças e monstros no armário para lidar.

Com isso, Love apresenta uma visão nada glamourizada e bastante fiel do amor em suas mais diversas formas e momentos, muito graças à instabilidade e falhas de seus protagonistas em, que refletem em diversos campos (família, emprego e, claro, neles mesmos). Mickey e Rust, apesar de claramente se gostarem, são uma bomba relógio de problemas e imprevisibilidade, o que acaba culminando em ótimos episódios.

Quem enriquece a série ainda mais é o ótimo grupo de personagens secundários, que ganharam mais espaço, inclusive com começo meio e fim em suas não menos interessantes subtramas. Através do também recente relacionamento de Bertie (Claudia O’Doherty) e Randy (Mike Mitchell), o roteiro comenta a depressão deste último e como ela pode afetar a vida de um casal mesmo através de coisas bem pequenas.

Ainda que não seja uma série de gargalhadas, Love nos faz importar com o casal e constantemente diverte com um humor rápido e inteligente, capaz ainda de incluir diversos comentários à indústria de TV e Cinema de Hollywood, em especial graças a ameaça de cancelamento da fictícia série dentro da série Wichita. Aliás, os episódios que trazem o abobalhado Gus tentando se enturmar à força com esse mundo são os melhores.

Impossível assistir a série e não se identificar, em maior ou menor grau, com vários momentos do atribulado relacionamento de Gus e Mickey: da confidência à incerteza, do carinho às discussões acaloradas, do arrependimento ao perdão. Love é uma série que é descontraída quando precisa, séria quando quer ser, mas que segue sempre agradável, tópica e relevante em suas discussões e subtextos.

A série estreia nesta sexta, 10 de março na Netflix e já está renovada para a terceira temporada.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
http://twitter.com/ligadoemserie

Categorias: Críticas, Love, Netflix

Postado em: 10/03/2017 | 1:56

  • bucas lueno

    adorei a critica e concordo é uma serie descontaida.

  • bucas lueno

    adorei a critica e concordo é uma serie descontraida.

  • Michael WIllian de Souza Antun

    Adoro a série. Nunca fui muito fã de comédia romântica, mas a série foge do lugar comum e te faz torcer pelo casal. Ótima para passar o tempo

  • Dário Fernandes

    A série é incrível, ajuda até nos nossos relacionamentos, tenho um de 06 anos e aprendi também com esta série, é muito legal! Ela mexe conosco, pois trata dos relacionamentos de uma forma que nenhuma outra comédia trata! Nos leva a conhecer os personagens e principalmente conhecer que cada um tem seus erros, sem aquela história de que há príncipes e princesas, mas sim seres humanos com seus defeitos. Mickey do seu jeito descolado e “perdida” e Gus com seu jeito certinho e “perdido”. Interessante quando vamos achar que os dois irão ficar bem, sempre ocorre algo que escancara que as diferenças entre eles são grandes, mas que se o amor quiser falar mais alto, deve aprender a lidar com estas diferenças! O capítulo 11 demonstra bem isso! Gostei muito da série!