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Crítica | Prison Break retorna apostando em repetição de fórmula

Revivals, remakes, reboots… Quando falta criatividade, apostar em marcas popularmente consagradas tem sido uma saída bem abraçada por executivos de televisão, afinal é fácil acreditar que a curiosidade natural do público e o fator nostálgico sejam suficientes para tornar um hit do passado num grande sucesso do presente. Os resultados recentes, contudo, têm, na maioria das vezes, variado entre recepções mornas (como ocorreu, por exemplo, com Arquivo X no início de 2016 e o spin-off de 24 Horas em fevereiro desse ano) e alguns raros casos um pouquinho mais bem sucedidos como o da releitura da franquia Máquina Mortífera. Nesse contexto, onde será que se encaixa o retorno de Prison Break?

Ignorando o fato de que a premissa dessa nova leva de episódios (serão 9) é forçada por si só – tido como morto quando a série acabou em 2009, Michael Scofield ressurge numa prisão no Iêmen -, a equipe liderada pelo criador da série, Paul Scheuring, joga todas as fichas nos mesmos elementos que tornaram Prison Break famosa e no carismático elenco, quase todo de volta. Sendo assim, há uma nova e evidente conspiração sustentando a trama; misteriosos agentes mercenários querendo eliminar Lincoln Burrows, Sara e cia; T-Bag de volta como o antgonista que a gente adora odiar; boas sequências de ação e, claro, o astro da série feito por Wentworth Miller mais uma vez envolvido numa tentativa de fuga de uma prisão.

Há, porém, uma pequena e curiosa subversão por trás da fórmula repetida: quando reaparece, Scofield nega ser quem é e está preso no Iêmen por ter ajudado um líder do Estado Islâmico. Pera aí, então quer dizer que o mocinho de outrora virou vilão no revival da série? Bem, considerando o que os dois primeiros episódios nos revelam, sim, mas não precisa ser muito esperto para imaginar que a série vá revelar mais a frente que Michael fingiu estar morto esse tempo todo e foi parar no Oriente Médio (atuando como agente duplo, talvez?) como uma espécie de moeda de troca feita com o governo ou qualquer organização ligada a ele para garantir a liberdade e a segurança de sua família, certo?

Seja lá como for, o fato é que Prison Break está de volta com novo crédito de abertura que tem variação da música tema criada por Ramin Djawadi (autor da trilha de Game of Thrones) e sem qualquer vergonha de reciclar o que deu certo antes ao apostar nas reviravoltas mirabolantes de sua trama para concluir definitivamente (?) a história do engenheiro genial que faz uma fuga de prisão parecer tarefa de jardim de infância.

Não precisávamos desse revival, isso é fato, mas pelo menos a série consegue divertir pela nostalgia. Prison Break retorna no dia 4 de abril às 23h pelo canal FOX.

Davi Garcia
é administrador, cinéfilo, viciado em séries desde a estreia de The X Files, colecionador entusiasta do formato Blu-ray. Fundador dos lendários blogs Dude, We Are Lost! e DudeNews.
http://twitter.com/dav1garcia

Postado em: 28/03/2017 | 9:00

  • Leonardo Damaso

    divertir palavra certa

  • Fabio Styfller

    Prison Break a top das séries