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Ligado Entrevista: Judd Apatow e Jenni Konner abrem o jogo sobre o fim de Girls!

É o último ano. A série que chegou sem alarde na HBO deixou a sua marca na TV pela franqueza com que discutiu e discute diversos temas sensíveis do universo jovem e da sociedade como um todo. Com erros e acertos, Lena Dunham, Judd Apatow e Jenni Konner deram voz a uma geração que, às vezes, tinha algo importante pra dizer. Em outras, apenas algo a dizer.

Essa é a beleza de Girls, uma série que sabe que é imperfeita, mas necessária como um exercício narrativo. Judd Apatow e Jenni Konner – produtores executivos e roteiristas – falaram sobre a sexta e última temporada em entrevista exclusiva, leia abaixo.

Após seis temporadas, como é dar adeus a Girls?

Jenni: É um sentimento agridoce. Fiquei triste quando encerramos, mas também aliviada. Vou precisar de uns meses pra te dizer como é que eu me sinto. Fico pensando no que escrever na minha bio no Twitter quando a série acabar…

Judd: Talvez depois que a HBO exibir tudo eu vou saber como será. Quando o último episódio for exibido e começarem a vir as reações é aí que… [Judd suspira] Preferia que estivéssemos numa era em que você faz uma coisa e pronto, pro resto da vida. Do tipo “Eu fiz o Mágico de Oz”, pronto. Ninguém esperará você fazer mais nada depois.

Você dirigiu dois dos episódios esse ano. Entre Love, Crashing e outros projetos, você se envolveu mais nessa temporada, Judd?

Judd: Olha, foi o mesmo tanto. Como a visibilidade é maior por ser a última temporada, todos nós pensamos mais antes de fazer certas escolhas. Provavelmente a gente se policiou mais pra não decepcionar o mundo.

Vocês sentiram pressão para fazer “o final perfeito”?

Jenni: Olha, quisemos que este fosse o final mais orgânico possível.

Judd: Eu queria que o último episódio fosse ótimo, mas tinha que ser o final certo, único e acho que a gente bolou algo que parece certo em sua própria maneira. Estou muito ansioso pra ver o pessoal discutir…

Com essa moda de tudo voltar em forma de remake ou revival, você gostaria de revisitar as personagens dentro de cinco ou dez anos?

Jenni. Eu, sim. Já sinto falta delas. Quando eu gosto de uma personagem, fico sempre me perguntando o que ela estaria fazendo agora.

Judd: Eu não tenho medo dessa onda de spin-offs, filmes e rvivals. Só com Freaks and Geeks que não quero mexer, porque o final foi muito esquisito. Mas com todo o resto eu mexeria. Eu sempre fico mal que eles não quiseram um Superbad 2. É a mesma coisa de fazer um episódio de Família Soprano e só porque o piloto foi muito bom. Tem que ficar aberto à ideia e tentar.

Os três primeiros episódios são ótimos. O primeiro com Riz Ahmed e depois esse terceiro com o Matthew Rhys. De onde veio a ideia de chamar os dois?

Judd: A gente ficou obcecado com The Night Of e com The Americans. É assim que a gente seleciona nossos convidados. Atores ingleses são sempre os mais profissionais: eles chegam sabendo todas as falas e eles lidam com o trabalho como se fosse uma espécie de férias. Sempre graciosos também.

Quem chega sem saber as falas?

Jenni: Ah, muita gente chega, mas nunca os britânicos!

O que vocês aprenderam nesses seis anos fazendo a série?

Judd: Quando começamos a trabalhar em Girls eu estava no meio do filme Bem-Vindo aos 40 e lembro de ter ficado inspirado com a bravura de Lena [Dunham] pela forma com que ela se expressava. Os roteiros me pareciam polidos e profundos. Jenni e Lena tratavam todos tão bem, por isso foram seis anos muito bons e isso é difícil de conseguir. Eles criaram um espaço de trabalho muito seguro para as pessoas experimentarem, independente da função. Isso é algo que eu sempre vou tentar copiar.

Já tiveram que voltar atrás em alguma ideia?

Jenni: Com a Lena a conversa algumas vezes pende pro “precisamos ir tão longe”? Ela é uma pessoa muito confortável com romper barreiras. Em algumas cenas não havia nudez alguma e quando víamos, ela decidia ficar pelada na hora de gravar. Ela também arrumava os piores ângulos de câmera possíveis pra gravar e questionávamos o que ela estava querendo dizer com aquilo. Ela é muito experimental. Já com os outros atores a gente tinha que perguntar se eles estariam confortáveis em fazer determinadas cenas.

Judd: Pela Lei toda vez que a gente faz uma cena de nudez os atores precisam assinar termos de liberação e é algo bem específico: tem pra lateral dos seios, parte da bunda e era constantemente assim. A Lena passava o dia e a noite assinando esses termos. Os demais atores começaram a ficar mais confortáveis à medida em que a série avançava.

A última temporada de Girls é exibida todos os domingos à 0h na HBO e as primeiras cinco temporadas estão disponíveis na HBO On Demand e HBO GO.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: [email protected]
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Categorias: Entrevistas, Girls, HBO

Postado em: 06/03/2017 | 23:08