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Como o mundo pode acabar em The Leftovers?

Chuva de meteoros? Apocalipse zumbi? Tsunamis? Inversão dos pólos magnéticos? As teorias para o fim do mundo são muitas – das proféticas às fáticas – e os fãs de The Leftovers certamente estão ansiosos para descobrir o que acontecerá na terceira e última temporada da série, que estreia no dia 16 de abril, às 22h, na HBO Brasil.

Cocriação de Damon Lindelof (LOST) e Tom Perrotta (autor do livro homônimo), The Leftovers acompanha a trajetória de antigos moradores de uma cidade de Nova York que sobrevivem ao evento chamado A Partida Repentina, no qual 2% da população mundial foi “arrebatada”, isto é, misteriosamente desapareceu. Na nova temporada, que se passa quase sete anos após os eventos da primeira, algo grande está para acontecer novamente.

Aqui, nós listamos algumas possibilidades para o fim do mundo difundidas no imaginário popular a partir de profecias bíblicas, hipóteses científicas ou mesmo especulações da ficção:

O Arrebatamento

Se vamos especular como o mundo pode acabar, temos que começar pela profecia bíblica que está na origem da mitologia de The Leftovers. O chamado “arrebatamento” surge de uma interpretação sobre o futuro da humanidade de acordo com o livro do Apocalipse. A narrativa possui muitos pormenores religiosos, mas, em resumo objetivo e direto, estamos falando de um “resgate” promovido por ele, o “Filho da Deus”, Jesus Cristo.

Segundo os relatos da Bíblia, em sua segunda vinda à Terra, Cristo levará repentinamente para a Nova Jerusalém, o “Reino dos Céus”, todos os seres humanos que o aceitarem como salvador. Enquanto isso, os “não crentes” serão deixados por aqui para o fim dos tempos, sofrendo por um período de – atenção – sete anos! Será uma época em que o caos tomará conta do planeta.

Caso o cataclisma bíblico seja a explicação para os eventos de The Leftovers, os personagens não terão dúvida nenhuma de que o fim está próximo. Isso porque, segundo o livro haverá literalmente um “grande estrondo” e toda a matéria “queimará no fogo ardente”. E não só o nosso planeta, viu? Estaríamos diante de uma destruição intergaláctica. Segundo essa crença, é o fim de tudo mesmo – e só quem foi “salvo” terá a chance de recomeçar a história.

Será você, Kevin?

Dilúvio

Outra especulação relacionada à Bíblia para o fim do mundo é o grande dilúvio, narrado no livro Gênesis e mais conhecido pela história da Arca de Noé. A inundação é promovida por Deus para, sem sutileza alguma, lavar a Terra do pecado. Mas, como própria Bíblia nos conta, o mundo não acaba ali, pois a água baixa e a humanidade ganha uma nova chance de recomeçar. Será que vem uma nova cheia por aí?

O mito do dilúvio não é exclusivo da Bíblia. A grande enchente também figura na “Epopeia de Gilgamesh”, um dos primeiros registros literários do mundo. Trata-se de um poema épico, escrito em pedra, sobre o rei Gilgamesh, que governou a Mesopotâmia. Há ali também um episódio em que Deus ordena a construção de um imenso navio para que alguns poucos escolhidos se salvem da destruição do mundo pela inundação divina.

Versões dessa história também constam nas mitologias grega e hindu, mudando nomes e lugares. A explicação histórica para a existência de relatos semelhantes por culturas diferentes é que as áreas habitadas do mundo na antiguidade de fato foram tomadas pela água em algum momento, possivelmente em decorrência de um tsunami oriundo da queda de um meteoro no Oceano Índico, cerca de 3000 anos antes de Cristo.

Bem que chove bastante no trailer da 3ª temporada, hein…

Extinção das abelhas

As abelhas são importantíssimas para o ecossistema devido à sua grande capacidade polinizadora, responsável para que existam as plantas e, por consequência, os animais e os seres humanos. Por isso, o fim desses insetos pode também representar o fim de tudo que conhecemos. A FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, já deu o recado: o desaparecimento de colônias de abelhas está se expandindo no mundo.

Desde 2011, pesquisadores do órgão observam que o fenômeno não afeta mais apenas a Europa e a América do Norte. África e Ásia também estão perdendo abelhas. As prováveis causas são o aumento do uso de agrotóxicos em plantações e das queimadas, mas também atribui-se à Guerra do Iraque, por exemplo, a diminuição de assustadores 90% da quantidade de abelhas naquele país. Caso elas entrem em extinção, não demoraria mais que quatro anos para o ser humano conhecer o seu fim também, afirmava Albert Einstein.

Superpopulação

A ONU, Organização das Nações Unidas, estima que a população mundial chegue 9,6 bilhões de pessoas em 2050. Atualmente, estamos na casa dos 7,3 bilhões, sendo que 86% vive em áreas pobres na Ásia e na África. São nesses locais onde o crescimento populacional tende a estourar devido à ausência de planejamento familiar, mas o mundo inteiro será afetado devido à escassez de recursos suficientes para sustentar tanta gente.

Se faltar água, comida, saneamento básico, moradia, energia elétrica e, óbvio, terra onde pisar (afinal, o mundo não está aumentando de tamanho), o caos nos levaria a um colapso generalizado. E não seria nada bonito ver o planeta se transformar em um gigantesco necrotério a céu aberto.

Pandemia viral

No século 14, cerca de um terço da população europeia foi morta pela peste bubônica. Não se tem notícia de algo do tipo com efeito mais devastador na história da humanidade (bem, tirando o fatídico 14 de Outubro em The Leftovers). Mas e se acontecer de novo?

O mais provável atualmente é que o vírus da gripe com suas variações (H1N1, H2N2, H3N2, H5N1…) se apresente como a ameaça. Isso porque é um vírus que pode sofrer mutações, ser transmitido pelo ar e entre humanos. Com as facilidades de locomoção internacional e os centros urbanos cada vez maiores, a disseminação de um vírus mortal certamente seria muito mais rápida. ..

Vale lembrar, a pior pandemia de influenza de que se tem registro ocorreu há quase um século, em 1918, e ficou conhecida como “gripe espanhola”. Ela se espalhou por quase todo o mundo e estima-se que, em um intervalo de cerca de dois anos, matou  mais que a Primeira Guerra Mundial. A hipótese de uma pandemia também pode ser associada à eclosão de uma guerra bioterrorista, em que doenças seriam usadas como armas.

Xiii, talvez aquele arrebatamento não parece uma ideia tão ruim, hein?

Buraco negro

Apesar de ser uma possibilidade cientificamente mais remota, ela é ao mesmo tempo a mais próxima da nossa realidade: um buraco negro pode sugar toda e qualquer matéria existente no planeta (e o próprio planeta, diga-se), sendo que o próprio ser humano seria o responsável por essa catástrofe. Isso porque, em 2008, cientistas ligaram o maior acelerador de partículas já criado: o Grande Colisor de Hádrons, ou apenas LHC, na sigla em inglês.

Fabricado para a realização de experiências que podem levar a uma compreensão mais clara sobre a origem das partículas atômicas e, consequentemente, o surgimento do universo, o acelerador de partículas está instalado no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, em um túnel subterrâneo de cerca de 27 quilômetros entre a França e a Suíça.

Há quase uma década em um funcionamento, a máquina não causou problemas até agora. Mas os rumores são de que um mal funcionamento pode levar à criação de não apenas um, mas vários pequenos buracos negros. Cientistas, no entanto, afirmam que essa chance é mínima, coisa de uma em 50 milhões. Mas veja que eles mesmos admitem: existe uma chance.

Se isso acontecer não adianta fugir nem pra Jarden e nem pra Austrália.

Rebelião das máquinas

Possibilidade explorada em várias ficções científicas, o levante de robôs dotados de inteligência artificial contra a humanidade é algo que nós deveríamos encarar como algo não muito distante de virar realidade. Afinal de contas, os avanços na área são notáveis tanto no que diz respeito a robôs que ocupam espaços físicos (fazendo desde pequenas tarefas domésticas até a participação em missões militares) quanto àqueles que estão nos ambientes virtuais, interagindo conosco mesmo que a gente não os veja.

E se, tal como nos filmes, esses robôs evoluírem mais rápido que os seus criadores e a inteligência artificial ultrapassar a inteligência humana? Com fontes de energia autossustentáveis, eles sequer precisariam lutar para se libertarem: simplesmente se afirmariam independentes. Poderemos detê-los caso decidam nos eliminar ou, talvez pior, nos escravizar?

Como será que o mundo vai acabar? A gente pode ter uma ideia disso em The Leftovers a partir de domingo, 16 de abril às 22h, na HBO e todos os episódios estarão disponíveis na HBO GO simultaneamente com a TV.

Pra quem ainda não está junto com a série, as duas temporadas anteriores também estão disponíveis na HBO GO para quem quiser se atualizar ou refrescar a memória!


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Renato Silveira
é jornalista e crítico de cinema, autor do blog Cinematório. Integra a equipe de Jornalismo da Rádio Inconfidência, onde também apresenta o programa Cinefonia. Trabalhou como redator-chefe e editor-chefe do portal Cinema em Cena, onde também apresentou e produziu o podcast semanal do portal.
http://www.cinematorio.com.br

Postado em: 11/04/2017 | 9:01