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Crítica | 3ª temporada de Better Call Saul retorna focada na transformação de Jimmy

Nesta terça, 11 de abril, Better Call Saul retorna com episódios inéditos na tela da Netflix. O drama conta a história de Jimmy McGill, que inevitavelmente se transformará no trambiqueiro Saul Goodman que vimos em Breaking Bad. Criada por Vince Gilligan e Peter Gould, a série começa com o pé no acelerador, imediatamente retomando os eventos que encerraram o segundo ano e avançando sobre eles num ritmo que, pelo menos a julgar pelos dois primeiros capítulos disponibilizados para a imprensa, é bem mais intenso do que o que vimos nas duas temporadas anteriores.

Lá encontraremos um Chuck (Michael McKean) muito mais decidido a se vingar de seu irmão pela traição cometida com o caso da alteração de documentos do banco Mesa Verde. Esse, aliás, parece ser o principal evento que “empurrará” Jimmy para o lado mais obscuro da prática forense. Ainda um profissional que quer fazer o bem – representado pela sua especialidade, Direito de Idosos, e pela sociedade que forma com Kim (Rhea Seehorn) -, os episódios que inicial a série claramente indicam que o advogado está trilhando um caminho sem volta. Ao mesmo tempo, sua sócia começa a perceber que com Jimmy a ética e a moralidade possuem um conceito flexível e potencialmente perigoso, o que acabará inevitavelmente afastando os dois (afinal, ela nunca foi mencionada na série de Walter White).

Better Call Saul segue também tecnicamente impecável como a série original, trazendo construções de planos e de histórias de forma cuidadosa, enriquecendo a narrativa. É assim também que a série nos reapresenta a Mike, que paralelamente e inadvertidamente segue rumo a tempos mais sombrios. Aliás, o cuidado da série com a jornada particular do leão-de-chácara vivido pelo excelente Jonathan Banks é um dos destaques do retorno da série. Meticuloso, astuto e sempre à frente de seus algozes, Mike inicia em 3×01: Mabel os eventos que culminarão no aguardado encontro com aquele que, como sabemos, se tornará uma das figuras mais emblemáticas e proeminentes de ambas as séries, Gus Fring, que eventualmente será revelado com toda a reverência protocolar que a sua volta às telas exige.

Better Call Saul tinha tudo para ser um prequel caça-níqueis, mas graças ao empenho de seus realizadores a série não apenas justifica sua existência, como também amplia o universo criado lá atrás em Breaking Bad, apresentando uma trama sempre coesa e que sempre respeita o seu material de origem. E se as cenas ambientadas no “futuro”, que sempre abrem as temporadas, são o prenúncio de que tudo vai dar absurdamente errado, teremos aqui mais 10 episódios que mostrarão o passo a passo de uma tragédia pessoal.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
http://twitter.com/ligadoemserie

Postado em: 10/04/2017 | 13:37

  • Mar Tim

    Finalmente esta série incrível está de volta e pelo que eu acabei de ler esta temporada promete! E o elenco é excepcional.

  • César

    Eu já estava com saudades das câmeras colocadas em lugares inesperados, esse primeiro episódio já foi excelente!

    Gosto muito do ritmo da série, que não tem pressa em estabelecer minuciosamente os seus personagens, mas ao que tudo indica, pelas entrevistas com o Vince Gilligan e o Peter Gould, essa será a temporada mais explosiva.

    O Chuck, aliás, está se revelando tão sem escrúpulos quanto o próprio Walter White, já imagino o que ele planeja com a gravação…

    E eu poderia assistir a uma hora do Mike executando seus planos infalíveis, a série leva a sério o princípio do “show, don’t tell”!

  • Robsonejs

    O Mike é muito foda! Excelente 1o episódio.

  • klaus

    sei não…mas tô curtindo mais o Mike